Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Diz-me o meu (salvo seja!) jornal; que ando a escrever demais “não escreva mais até escoar o seu stock!” E, em consequência, penso: mas porque hei-de escrever e perder tempo com textos que nunca são publicados (outros sê-lo-ão!) Mas, logo a seguir interrogo-me. Mas o que vejo à minha volta merece reflexão.

 

Quando saio fora do país - gosto de saber sempre mais – gosto de saber como fazem os outros povos, como são educados, como ganham a vida, como vivem e até como morrem (esta parte também preocupa) penso que o meu país nem é mau. Maus, verdadeiramente maus, somos nós; os homens (ou se calhar, nem somos maus, somos é burros! embora amigo meu (será!) em tempo tivesse dito e escrito que tinha morrido o último burro da sua terra. E morreu?)

 

Mas, porque escrevem os que escrevem? (escrever, bem ou mal, não faz mal a ninguém; mas tem consequências!). Escreve-se porque se pensa! E, sinceramente, eu penso – de há muito - que estamos com futuro adiado, posto que, o que nós verdadeiramente sabemos fazer; é não fazer nada para sairmos desta porcaria de vida em que temos vindo a cair.

 

Ultimamente, temos assistido a manifestações públicas sobre educação (e todos dizem que sabem do que falam). E, de antemão concluindo, o que nós verdadeiramente precisamos é de novos educadores, o que nós precisamos é de refundar o país a partir da educação (não a educação daqueles que não se entendem para arranjar um líder. Ainda vamos ter mais do mesmo!) dado que a educação de um homem começa sempre três gerações antes da sua concepção.

 

Quem nos ler, aceite esta reflexão, e não pedimos desculpa a ninguém, nem aqueles amigos que têm a profissão de professor (sendo que professor é aquele que aprende, ensinado; quem não sabe ensina, quem sabe faz) precisam de mudar a mentalidade educativa.

 

Talvez por isso há quem escreva adulterando realidades, como aquele que faz publicar pseudo sondagens. Este sujeito é, ou foi bem-educado. Não. Ou, aquele bancário que enriquece sugando parcas economias; foi bem-educado? Não. E, o empresário (infelizmente, raça em extinção) que não cria cadeia de valor, para todos, entre os que o servem; foi bem-educado?

 

Embora arrojado - cremos que não - aquele gestor que gere sem observância ética dando privilégios e preferências nos negócios – como a Leirisorpt – Foi para obter vantagem competitiva? Não, não foi. E está bem-educado? Também não. E, aquele que goza de reputação pública e daí tira uso e abuso de indefesas crianças, foi bem-educado? Não. E, aquele que, sabendo e vendo que o País tem muito (se não tudo, porque a evolução dos tempos pede sempre mais) por fazer e não vê o que fazer, foi bem-educado. Claro que não.

 

A política de educação não pode ser uma coisa desgarrada, isto é, de que valeria saber muita matemática se só faço contas a contar comigo! Daí que é frequente ouvir os políticos a dizer que “temos de travar um combate” para isto e mais praquilo (termo, de que não gosto muito, porque trás à memória combates de guerra – embora tivesse sido militar de gabinete) mas agora sim, penso que precisamos mesmo de “travar seríssimos combate pela educação” e pela ética. De outro modo, mais dia, menos dia, há mesmo combate; combates.

 

Penso, logo existo, e enquanto existo, escrevo, mesmo que seja para o stock!

 

Leiria, 25.04.2008



publicado por Leonel Pontes às 12:23
Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Naquele dia (que já era noite, e bem noite, por diferença de fuso) estava o Quartel-General, em Dili, em alvoroço. Havia-se abatido forte tempestade, chovia se Deus a dava. E, chover ali é como quem abre uma comporta. Ao atravessar o leito da seca ribeira de Lacló, eis que o Unimog não aguentou o embate da bátega, voltou-se de roldão águas abaixo, lamas e tudo o mais que uma cheia trás. Tudo foi na levada.

 

Os mais sabidos saltaram como puderam, meteram-se a salvo, mas o Gusmão que havia chegado dias antes à província, nada feito aquelas situações, deixou-se ficar sentado no seu lugar de chefe de viatura emquanto ia na levada, foi engolido pelas águas do Mar de Timor; porventura trucidado pelos crocodilos. Jamais voltaria; consternação.

 

Naquele bulício, começam a chover mensagens sobre a revolução, agora conhecida de Abril. As manifestações eram contidas. Não havia muitos dias, Alves Aldeia, o Governador, regressado de visita à Metrópole havia feito um discurso inflamado, vociferando “vendilhões do templo”, sobre a abortada revolta de Março, nas Caldas da Rainha.

 

Mas, eis que cai sobre a mesa uma mensagem dando orientações para que o Governador, comandante em chefe, cessasse funções assumido-as o segundo comandante. Deixou de haver dúvidas quanto ao sucesso da operação 25 Abril.

 

A revolução venceu, a alegria abafou o desaparecimento de um camarada de armas. Agora é que é, isto agora vai mudar. E, todos sabíamos do que o país precisava; paz, liberdade, emprego, saúde, educação. O país estava prenhe de assimetrias. Estávamos, então, no ano setenta quatro do século passado; parece que foi há muito tempo. Mas não!

 

Hoje que escrevemos pela primeira vez, neste espaço, escrevemos porque pensamos; pensamos no antes revolução, no durante e no depois. E, sinceramente, pensamos que estamos com antes, estamos sem futuro, sem empregos, sem segurança na velhice e sem educação. As assimetrias continuam.

 

Ultimamente, todos temos assistido a manifestações públicas sobre uma das coisas mais queridas da revolução; a educação. E, todos falam, e todos dizem que sabem do que falam. Mas, a nossos olhos, em verdade o que tem acontecido é que se têm andado a semear ventos que, sem dúvida, tempestades vão trazer.

 

Estamos a comprometer, ainda mais, o futuro. Assim não, todos temos de ser avaliados pelo que fazemos, de modo formal ou informal. E quem vale, vale; quem não vale, vai para paquete.

 

Todos precisamos de ser avaliados, mas precisamos sobretudo avaliados por uma nova política. Precisamos de uma política que não seja um emprego, e mais do que isso, que não seja um negócio. Precisamos de política com ideais, uma política que a todos chame para a luta, uma luta de causas, de causas que travem o passo aos desmandos de uma política, que nada tem de social, de uma politica que está a desalojar os nossos concidadãos, de uma política de gente séria e responsável.

 

A educação, a educação de um filho começa sempre três gerações antes, e só por isso se pode dizer o que dizem os jovens de hoje, “ah, se somos assim, somos como nos educaram. Estamos a educar mal. Ninguém pode esperar que sejam os outros a resolver-lhes os seus problemas. Temos que educar para o futuro, para o trabalho e para o gosto por este, para iniciativas arrojadas, jamais alguém poderá esperar emprego pela cunha, pelo emprego político. Quem educa tem de incutir valores, tem que ensinar a abrir caminhos.

 

Quando escrevemos, não o fazemos para pedir desculpa, daí que não peço desculpa a ninguém, nem aqueles meus amigos que têm por profissão; professor, ouso até lembrar que professor é aquele que aprende a ensinar, posto que, quem não sabe ensina, quem sabe, faz. E, pois, preciso mudar mentalidades a professores, educadores e educandos.

 

A  nossa (a minha) geração o que mais poderia fazer? Fez uma revolução, mudou o regime político, lutou e aguentou uma guerra fratricida em várias frentes, lançou alicerces para o desenvolvimento deste país, o que mais se poderia pedir-lhes.

 

E, talvez por isso, ouso dizer ainda. Quem escreve para adulterar os factos, para fazer publicar pseudo sondagens, este foi bem-educado. Não! E, o bancário que enriquece sugando parcas economias, foi bem-educado? Não! E, o empresário (infelizmente, raça em extinção) que não cria cadeia de valor, para todos, foi bem-educado? Também não! E, aquele que goza de reputação pública e daí tira benesses de uso e abusou de indefesas crianças, foi bem-educado? Não! E, aquele que, sabendo e vendo que o País tem muito, se não tudo (porque a evolução dos tempos pede sempre mais) por fazer e não vê o que fazer, foi bem-educado! Este também não foi bem-educado.

 

É, frequente ouvir aos políticos “temos de travar um combate para isto e mais p’raquilo" Agora sim, temos efectivamente de travar um combate sério, precisamos de o travar por tudo, mas sobretudo temos de o travar pela educação. De outro modo, mais dia, menos dia, temos mesmo combate.

E em conclusão, dever-se-á festejar o 25 de Abril. Com a actual matriz;  não. A revolução é, devia de ser, igual a educação; mais e melhor educação é o que o Portugal do pós revolução mais precisa.

 

 

Leiria, 22.04.2008



publicado por Leonel Pontes às 11:40
Sexta-feira, 04 de Abril de 2008

 A palavra organização vem do grego “organon” que significa ferramenta, sendo que, uma ferramenta é um dispositivo mecânico, criado e desenvolvido para executar determinadas actividades. Porém, o desenvolvimento das ferramentas, todas, evoluiu muito ao longo dos últimos anos, basta lembrar a velha chave-inglesa criada ao tempo da revolução industrial, hoje praticamente fora de uso.

 

As ferramentas de hoje, são muito sofisticadas, são micro ferramentas e passámos a chamar-lhes software e hardware. Mas, quaisquer que sejam os conceitos, por certo, temos que, para vencer nas actividades que exploramos, havemos de trabalhar com ferramentas actualizadas e eficazes de modo a potenciar a eficiência. Se assim não for, ficamos para trás. E, o que nós não fizermos, por falta de iniciativa, de capacidade, ou de má implementação, obviamente que poderemos – como soe dizer-se - esperar sentados. Outros, mais perspicazes, obterão os resultados que gostaríamos de obter.

 

Assim, quando adquirimos um sistema informático estamos a adquirir uma ferramenta, com vista a determinada organização, estamos a procurar crescer, estamos a construir o futuro. Se, pelo contrário, a escolha foi negligenciada, se a ferramenta é esconsa, se fizemos uma aposta tendo por base tão-só argumentos impingidos - e há gente desta no mercado - pela certa, vamos perder competitividade; deixamos de ganhar e passamos a gastar dinheiro, por vezes muito. E, irremediavelmente, ficamos para trás.

 

E, já que estamos a falar de ferramentas informáticas, ou de sistemas de informação, é mister ter sempre presente que uma ferramenta informática convenientemente estudada e estruturada para o fim em vista, é, por demais, evidente que estamos a instalar um factor de competitividade e aos dias de hoje ninguém poderá esperar que ovo caía, do dito, se não forem asseguradas as convenientes e necessárias fontes de alimentação.

 

Por outro lado ainda, não existem recursos humanos, nem vendedores, nem distribuidores – nem bons, nem maus - hoje tudo tem de ser bom, subsumidos numa única ferramenta “organização”. Hoje para vencer num mercado global e competitivo só poderemos almejar tal objectivo se a nossa organização estiver dotada de toda uma “organização” – estenda-se, pois, todo o conjunto de ferramentas adestradas às realidades, gente motivada, e sobretudo temos de ser muito disciplinados e disciplinadores.

 

Bem sabemos que, em Portugal, nos tempos que correm, ser-se disciplinado e disciplinador é razão bastante para ganhar anticorpos, para levar rótulos, nos outros países, ser-se disciplinado e disciplinador é razão indispensável para progredir, para preferência de emprego, para conquista do sucesso para, a partir daí, fazer, construir e pertencer a boas organizações.

 

Por tudo isto, já vimos, organizações que por teimosia, quiçá ignorância de pseudo sábios se candidataram ao exercício do pioneirismo abstracto, e em consequência, não constroem, nem produzem, perdem tempo, não sabem quanto custa o que produzem, não sabem por quanto hão-de vender, antes guiam-se pela opinião cega do mercado e pior ainda, não sabem o estado das contas – leia-se contabilidade – e por vezes até constroem balanços que não cruzam, isto é, os valores do activo tem somatório diferente do membro passivo.

 

Leiria, 04.04.2008



publicado por Leonel Pontes às 22:51
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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