Domingo, 30 de Maio de 2010
Agora todos perguntam “mas ninguém viu!” Perdoem-me a ousadia. Eu vi, escrevi e disse! Escrervi várias vezes neste semanário, nomeadamente em Janeiro de 2008, em crónica, sob o título “Falidos”.

Mais tarde a empresa Imagens & Letras associada do “Região de Leiria” publicou em livro com algumas crónicas minhas, sendo que nessa altura perante os que me ouviam no Instituto da Juventude - para surpresa minha, cheio – sendo que à mesma hora, no mesmo dia, em Leiria, uma senhora promovia apresentação dum livro de um politico, responsável pelo PSD a Leiria veio para dizer que o país estava um brinquinho.

Ao dito político, eu mesmo, já havia dito em cerimónia ocasional (não política) em Guimarães que a senhora – que mutuamente se promoviam - jamais ganharia alguma coisa em Leiria. E assim foi. Ora se a senhora tinha nos seus livros um buraco financeiro que todos viamos, só ela e seus pares dizia que não, como poderia ser responsáveis, por alguma coisa? E foi assim – faltando à verdade - que o país foi caindo na derrocada.

E por isso mesmo a fulana e seus pares - então como agora - tentaram e tentam fazer-me como os gregos fizeram – ao seu tempo - a Sócates; fazendo-me beber a sicuta. Mas o que tenho eu a ver com Sócrates, a não ser interpretar as lições do velho filosofo.

Mas vamos a factos. O meu país tem muito, tem muito para aprender. Tem muito endividamento. Tem muitos reformados – com idade util - que muito poderiam dar ao país.Tem muitas estradas para passeio.Temos muito má gestão.Tem muitos políticos que nunca fizeram nada (que apresentam livros e dão consutorias ao arrepio da ética) Temos muito lazer. Temos muitas festas e romarias. Enfim! Temos muito, infelizmente, muito do que é mau.

Ao meu país só falta uma coisa; um que mande (e isto não é ditadura; ou Mourinho é ditador?). Pois sim, mas como chegámos à crise? Chegámos à crise porque também havia muito dinheiro – escritural, e aí é que a coisa esbarrou – que estimulava uma procura de tudo, naqule contexto socrátio de tanta coisa que vejo e não faz falta nehuma.

Por isso direi; gostei de ouvir um dia destes o novo Administrador de um grupo económico, ancorado na internacionalização, ao dizer que “na nossa – a dele - organização só muito pontualmente recorre à banca; nós preferimos a gestão por via de caixa”. Em tempo fui à Polónia e vi como o funcionamento da empresa portuguesa ali sediada. Pareceu-me bem organizada.

Em conclusão direi; de nada adianta barafustar quando os celeiros estão vazios, o dinheiro é escasso porque enviado é para os nossos parceiros europeus – e não só, só porque nós decidimos mal, (aqueles que decidiram) fomos ou levaram-nos por caminhos fáceis, pelo caminho da promessa. Negligenciou-se o trabalho e agiu-se como se fossemos ricos!

Leiria, 30.05.2010


publicado por Leonel Pontes às 16:46
Domingo, 16 de Maio de 2010

 

Leonel Pontes

Membro do Conselho Superior da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas

 

O “rating”, por razões sobejamente conhecidas, está na moda; nada de novo, menos de sucesso, mas está na moda! E valerá a pena preocuparmo-nos com o neologismo? Afinal, o rating sempre existiu, embora com diferente roupagem; a prudência.

 

Mas em concreto o que é o rating? O rating é um indicador, subsumido em opiniões expressas matematicamente quanto à capacidade que uma entidade – empresa ou mesmo um país – têm em honrar (a tempo e horas) compromissos financeiros. Opinião suportada, pois, na avaliação várias grandezas económicas; na mais simples expressão honrar a palavra, é honrar o compromisso.

 

E por que carga de água haveria de vir nestes últimos tempos à tona o rating? Veio à tona porque os modelos de gestão – matéria-prima para produção do rating – foram aligeirados, não só pelos agentes económicos, como pelos países.

 

Por outro lado, a palavra, a palavra de honra – único activo que a homem verdadeiramente tem - deu lugar a promessas circunstanciais. Outrossim, o planeamento económico deu lugar a medidas avulsas. A ética deu lugar à subversão de princípios comummente aceites. O trabalho deu lugar à subsidiação de lazer.

 

Concomitantemente, a contabilidade, instrumento de controlo, assente na fiabilidade, foi truncada. A análise dos gastos de produção foi negligenciada. Os orçamentos foram elaborados para inglês ver. O recurso ao crédito, em vez de ser uma âncora, passou a ser utilizado a esmo e, por vezes sem controlo. A publicidade deixou de ser um meio promocional e passou a assumir foros de mentira.

 

Tudo isto foi promovido pelos actores políticos e económicos que se deslumbraram e cegaram com as luzes da ribalta, sendo que, para manterem neste estádio fomentarem a mentira como se de uma verdade se tratasse.

 

E, não só as empresas, como os governos – e refiro-me aos nossos – passaram de desempenhos irrepreensíveis, na sua óptica, para resultados de ruína, pese embora com resultados sempre certificados. E, casos para fundamentar o axioma, muitos poderíamos dar.

 

Enquanto isso, gestores de vários naipes, como sindicais eternizam-se a contribuir com reivindicações descontextualizadas. Por sua vez, gestores empresariais promoverem e fomentaram sindicatos de voto para se eternizarem também à frente de associações empresariais.

 

Perante isto, a coisa deu para o torto; como era expectável. Agora querem-nos fazer crer que a culpa é (foi) da crise internacional. Tínhamos antídotos, que não foram, como deviam ser, ministrados em, e a tempo.

 

 Leiria, 16.05.2010



publicado por Leonel Pontes às 14:18
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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