Domingo, 19 de Dezembro de 2010

Há, desde os governantes, passando pelo cidadão tido por político, até chegar ao comum, uma natural apetência para falarem das PMEs como se fossem (sejam) seus defensores; e estamos em crer que não estão mandatados para tanto. Mas mesmo sem mandato percebe-se por que tendem em falar destas.

 

É que “as pequenas e médias empresas representam na Europa 99,77% (99,91% em Portugal) do número total de empresas, empregando 67% da população activa (82% em Portugal) e contribuindo com 58% para o valor acrescentado bruto (68% em Portugal). Esta evidência é válida à escala mundial”.

 

 “A importância das PMEs, nos países desenvolvidos, representa entre 80-95% do total de empresas, mesmo nos EUA, onde no período compreendido entre 1987 e 1997 ocorreu uma redução de emprego nas grandes empresas, cerca de 2 milhões de pessoas. Enquanto nas PMEs o mesmo aumentou em 16 milhões.” Face à evidência, é inquestionável a relevância económica e social deste tipo de entidades.

 

Mas, em boa verdade, o que se sente, por cá, é que para além do muito “blá-blá” não se consegue descortinar onde haja sido feito alguma coisa - não só para minorar a morte das PMEs; sobretudo para estimular e oxigenar este tecido empresarial em ordem à sustentabilidade dos empregos.

 

E nem estamos a pensar na questão do crédito. Aliás, está por apurar se o crédito é fonte de vida ou de “morte”. Quase nos arriscaríamos a dizer que os pequenos empresários o que na verdade são, são uns freelancer da banca. Poder-se-á censurar aqueles agentes económicos. Mas também eles, os pequenos bancos, à dimensão do país, são pequenas empresas financeiras.

 

A nosso ver o que os pequenos empresários precisam é de se congregarem em torno de um objectivo comum de sustentabilidade, em ordem a demonstrarem o seu peso económico e social, tornando-se (como são) num parceiro de negociação perante os governantes.

 

Em tempo recente acompanhando um pequeno inquérito local, de âmbito académico, levado a efeito junto de pequenos gestores de PMEs percebemos que o seu desânimo é elevado, revelando inclusivé distanciamento de questões como, sabe o que é o SNC. Ou, a implementação deste foi uma imposição governamental, ou comunitária? Ou, acha na contabilidade uma ferramenta de apoio à gestão? Ou ainda: acha que com o SNC tem melhor acesso ao crédito?

 

O que se percebe é que os gestores das PMEs têm de dialogar, quase em permanência, com “n” entidades o que retire tempo e até capacidade de discernimento para exercício da sua efectiva actividade, que, em princípio deveria ser coisa atractiva. Mas, em vez disso, o que a sua vida é, é uma verdadeira “chatice”.

  

Leiria, 2010.12.19



publicado por Leonel Pontes às 16:29
Sábado, 11 de Dezembro de 2010

Contraditando o princípio aceite de que os recursos humanos são pessoas adestradas ao trabalho, o que de facto são, são “activos humanos” em formação desde muito cedo - a partir dos bancos da escola -, sendo que num determinado momento, a cidade, a região, o país, são eles mesmos.

 

Todavia, a ida à escola não é suficiente. A adaptabilidade ao mundo do trabalho é uma outra fase na formação/integração. Num processo de formação de um activo humano, sacrificados são muitos recursos.

 

Formados esses, hão-de ter um período de vida útil, a qual deveria ser aproveitada na justa medida dos fins para que foram tidos em vista. Contudo, tal ciclo vai um dia também chegar ao fim.

 

E, uma nova fase se inicia, a retirada da vida activa. Não raro – pelo menos em Portugal – são activos desaproveitados, mas valiosos; em muitos casos com elevado potencial de conhecimento. Quem deixa o mundo do trabalho leva consigo muito saber.

 

É nesse momento que se dá um tremendo desperdício, o nosso país nas últimas décadas tem atirado borda fora excelentes activos humanos; cidadãos com enormes capacidades, com saber e experiência acumulados.

 

Então o que fazer? O que dizia Elisabeth Kanter “há uma grande guerra entre dois géneros de cidades. De um lado, há as que se cosmopolitizaram, que conseguiram casar o "local" com o "global". Do outro, as que ainda não conseguiram sair da sua paróquia, as que se tingiram de cinzentismo provinciano e que, por isso, definham”

 

Leiria precisa de uma grande ideia, que agite os seus activos, que pode passar por um conselho – que não um concelho, atenção! –, para o futuro. Um fórum de discussão da polis.

 

 

Leiria, 2010.12.11



publicado por Leonel Pontes às 04:00
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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