Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015

Tudo tem uma (a sua) história; uma história que por vezes se confunde com lendas. O café, como o conhecemos hoje teve (e tem) a sua história e sabe-se que o mundo começou a ter café no século IX, a partir da Etiópia. Mas o nome café só mais tarde nasce na Arábia a partir de uma infusão de pequenos frutos cujo produto acabou por receber o nome de “cahue”. Todavia as propriedades dessa planta começaram por ser observadas pelo pastor “Kaldi”que viu que, os seus carneiros ficavam mais espertos quando rilhavam o fruto que afinal era o “café”. Daí se extrapolou que, também os guerreiros que tomassem uma infusão desse fruto sentiam-se mais activos; mais encorajados para a luta. Também nessa senda, ao tempo, um monge começou a tomar a dita infusão de modo a resistir sono trazido pelas longas horas de oração. Vistos e experimentados os benefícios do cahue, a sua disseminação deu-se da Etiópia à Arábia, à África, à América do Sul.

A tal propósito devo aqui realçar, como que em singela homenagem a um ilustre amigo que cedo deixou o seu torrão pátrio havendo-se fixado em Angola, Fazenda Sofia, no Cuanza Sul e aí desenvolveu, segundo relata João Guerra na sua obra homónima a tarefa na plantação de mil hectares de cafeeiros. E daí exportava mundo fora milhares de toneladas de café tendo, ao tempo, por cliente fidelizado o magnata do café em Portugal Rui Nabeiro, de quem ainda hoje cultiva relações de amizade.

A talho de foice, diga-se que nos anos oitenta do século passado o café chegou a ter uma cotação monetária imediatamente a seguir ao petróleo. Portanto economicamente o café concorria fortemente para a organização dos orçamentos dos países produtores.

E, hoje ainda é assim. Hoje é mais do que isso, hoje o café é um bem social. Hoje o café (bebida) é pretexto para um encontro de lazer, para uma cavaqueira, para início de conversa de negócios. Isto é, a nossa vida social não seria a mesma sem café naquele despertar que adiciona à nossa acção laboral.

Todavia tenha-se em atenção que o café, segundo literatura científica causa habituação e se causa habituação pode causar perturbação por via do componente químico que este fruto incorpora, ou seja a cafeína, como já todos ouvimos falar. Também ainda segundo a literatura científica a toma de 2/3 chávenas de café por infusão pode tornar-se prejudicial para a saúde. Portanto a toma reiterada de cafeína, quer seja por via do café por infusão, ou mesmo por via de bebidas frias como refrigerantes, ou até chá, podem carecer de acompanhamento médico.

Portanto o café é um produto que traz ganhos económicos aos orçamentos dos países produtores, bem como traz lucros às empresas que exercem o negócio deste produto. Por outro lado, o café é um excelente estimulante desde que tomado em doses moderadas, mas também é um parceiro social que convida amigos à reunião em espaço lúdicos também conhecidos por cafés, onde se encontravam no passado, como hoje, políticos escritores e até mesmo gente de mal-dizer.

Enquanto isso e na sequência do acima dito Leiria sempre foi um local de tertúlia e encontro de contabilistas, entre os quais pontuava o João Guerra, que uma vez por mês vinha de Benedita até à cidade do Lis para aqui cavaquear e deixar a sua razão de ciência sobre o café, e outras actividades do foro agrícola que em Angola geria. Com efeito, deixo aqui um repto público a todos os contabilistas do passado e actuais, para uma cavaqueira acompanhada quiçá pelos milhares de slides que o João projectava sobre uma parede sempre ouvido como muita atenção tais foram as suas aventuras desenvolvidas em meados do século passado na Fazenda Sofia, Angola. O que acham? Vamos ouvir o velho sábio, como quem presta uma homenagem a alguém que por muito que diga, muito tem sempre para dizer.

Leiria, 2015.02.18



publicado por Leonel Pontes às 11:07
Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2015

Como é por demais sabido, a União Europeia emergiu das angústias e cinzas de uma guerra que dizimou 59.604.600 almas, entre militares e civis, ainda há pouco. Século findo. Nessa senda a reconstrução parecia ser tão necessária quanto fácil. Porém, com o decorrer dos tempos o edifício mostrou-se de difícil construção, posto que, porventura, em vez de assentar em alicerces sólidos tal edifício acabou por ser erguido na precariedade de valores; de valores morais, visão assaz distante dos valores e saberes preconizados por Monnet ou Schumann que como também é sabido defendiam uma Europa solidária.

Todavia, muito antes de existir a União Europeia, já os pensadores da rés pública pressentiam que os países, sozinhos não lograriam grandes êxitos. Daí que, em 1849, Vitor Hugo, homem de acção, deu expressão à sua visão quanto à construção de uma Europa unida e disse:

“Virá um dia em que todas as nações do continente europeu, sem perderem a sua qualidade distintiva e a sua gloriosa individualidade, se fundirão estreitamente numa unidade superior e constituirão a fraternidade europeia. Virá um dia em que não haverá outros campos de batalha para além dos mercados abrindo-se às ideias. Virá um dia em que as balas e as bombas serão substituídas pelos votos.“

Com efeito, o importante estava na edificação de um edifício que assegurasse sustentabilidade aos membros daquele que seria a União de povos europeus. E assim, após longo périplo de negociações foi celebrado em 1948 o “Tratado de Bruxelas”, o primeiro do pós-guerra, abrindo-se aí caminho para muitos outros tratados. Entretanto, a 1 de Janeiro de 1999, é celebrado na Holanda, Maastricht, o Tratado da União Europeia, que teve por subscritores, para além de Portugal, outros 10 Estados-membros, constituindo-se aí uma União Económica e Monetária (UEM). Em consequência, este tratado transferiu a responsabilidade pela condução das políticas monetárias para o Sistema Europeu de Bancos Centrais (SEBC), tendo adoptado uma moeda comum: o €uro.

Mas as desigualdades da Europa da União foram aí sepultadas? Não, antes pelo contrário acentuaram-se a cada dia que passava. E, malgrado tanta convicção antes emergiu desse acto um projecto que nunca saiu do estado estado de crise. Uma crise que tem por cenário principal a moeda: €uro. Tudo o mais já é conhecido e público.

O que porventura não tenhamos bem presente e por isso ouso trazer à discussão é que ao longo o século XX, foi construído um sistema redistributivo, edificado em torno de um conjunto de direitos sociais fundamentais: o direito à educação, à saúde e à reforma de cujos pressupostos a nova Europa comungava. Porém, o que temos vindo a dar conta é que estas premissas borregaram e não precisamos de fazer grande esforço par ver diante dos nossos olhos, o estado de desunião que varre a União, basta que estejamos atentos aos ventos de Sul que podem voltar a atiçar um rastilho que fará explodir/ implodir a Europa, pelo menos existe um teatro de guerra. Já deram por isso, não deram? Em suma a União tem andado a modernizar ou a desmantelar o estado social?

Leiria, 2015.02.10



publicado por Leonel Pontes às 18:53
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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