Quinta-feira, 07 de Junho de 2007

 

Naquele tempo havia a grande ambição de encontrar diferente modelo de governância. Mas, ninguém sabia como outra poderia ter! Havia um travão medonho difícil de contornar (neutralizar) essa coisa tenebrosa de que ainda hoje arrepia.

 

E, mau grado memórias desses tempos, ambições renascem e tentam ressuscita-los, os “bufos” os quais para subir, afinal para aumentar a sua mediocridade, de tudo eram capazes; então como agora.

 

Enquanto isso, as vidas eram muito difíceis. O dinheiro dava para pouco, menos ainda para sustentar prazeres, ou vícios. O café – a não ser o de chaleira – o café, dizíamos, o da nova tecnologia, o de máquina e com creme, esse só era bebido (apreciado) ao domingo.

 

Ainda hoje nos lembramos – como os dessa leva – que ao Domingo o ourives da terra chegado ao café sempre sorridente – qual dia de festa - encostava-se ao balcão, e quando perguntado, invariavelmente, dizia “hoje é Domingo, e um da não são dias! Oh Pedro sai um cafezinho …!” Ao tempo, o vício, custava quinze tostões, na moeda de hoje 0,075 €.  

 

Desde então, os tempos mudaram, mas as dificuldades continuam e parece que maiores. Para além do conhecimento, que cada um de nós possa ter; reforçando-o, a televisão mostrou-nos, há dias, que pobreza está em crescendo. Aspessoas dizem não ter que dar de comer aos filhos, dizem-se endividadas, dizem-se sem emprego. Também arrepia!

 

Em circunstância disso, chegou-nos à memória desses outros tempos o Senhor Duarte que, com familiares idos dos lados de Coja e emigrados em Lisboa tinham por negócio o prego (não o prego usado na construção, mas o prego onde as dificuldades da vida levavam a pendurar haveres pessoais), ele, que não sendo ourives aproveitava para comerciar bens provindos do prego.

 

Nesse tempo havia dificuldades, mas também haviam bens permutáveis, que a final ajudavam a suprir dificuldades imediatas, que só por incumprimento contratual eram transaccionados por entre quem mais poder de compra tinha. Mas hoje, hoje o que têm as pessoas para garantir empréstimos! E, mais não se podem endividar. Estaremos no limiar de uma sociedade insolvente?

 

Hoje é Domingo, dia de Portugal, hoje gente há a passar mal, gente que não tem se quer chaleira que café ou sopas de borras possa fazer; sós, e sem razão para festa, vivem com a vergonha de dizer que estão a famintar!

 

Agora, como então o país carece, como de pão para a boca, de um novo modelo de governância, hoje que é dia de Portugal, é dever de cidadania dizer que, um novo modelo de governância é preciso, um modelo de governância sem “bufos” que controlam, travam, atormentam, atrasam e, óbviamente, empobrecem o país.

 

Quando já nada há para pôr no estômago, nem no prego, outra coisa não resta que não seja ver, um dia destes, as velhas “sopa dos pobres” a reabrir. Isso vai ser uma vergonha, que já é. E, só por isso a pobreza é escondida.  

 

Leiria, 2007.06.07



publicado por Leonel Pontes às 12:40
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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