Quinta-feira, 06 de Março de 2003

 O impacto transmitido para o cidadão foi tal ordem que – ainda que por instantes -, ficámos com a sensação de que o país se estava a desmoronar e pior do que isso, sem futuro à vista.

 

Mas, em induzida reflexão, quanto às causas de tamanha agitação, com sucessivas e frenéticas interpelações à opinião pública, de apurado estilo “uma coisa, oiça lá, diga-me cá” está a pensar manifestar-se a favor d’aulas de educação sexual “já”. 

 

Até parecia “agora é que é, estúpidos como nos querem fazer” – só porque não temos aulas de educação sexual -, e sem que tenhamos técnicos em quantidade e com conhecimento bastante para implementar tanta e tão novas tecnologias sobre a matéria, sem que tenhamos fundos ou linhas de crédito disponíveis para acudir à ensinança, nem perspectivas a curto prazo; enfim, desamparados como estamos, isto vai ser um caos! E, como poderemos nós, portugueses, sobreviver ao incomensurável déficite de educação nesta nobel área do saber ?

 

Contudo, logo percebi, isto não há-de ser nada - nem pode ficar assim -, nós que sempre tivemos uma velinha a alumiar-nos o caminho, e, depois também sempre fomos fadados para a sorte; in-extremis havemos de vencer, pensei. Por outro lado, também não será agora por causa de um deficit, ainda por cima de deficit de educação sexual que vamos pôr em causa a soberania nacional.

 

E, foi aí, de fronte à televisão que percebi “isto nunca poderá ficar assim!”. Na semana finda, ao cair da noite olhando o ecrã constatei, com toda a facilidade; afinal temos  salvação! Então a televisão poderia lá deixar tão importante questão por resolver!

 

E, em boa ora, e por isso estamos-lhe (eu estou) imensamente gratos, tomou a causa de sua conta, dando ênfase bastante às nossas insuficiências de educação em matéria de “educação sexual” e assim fez deslocar para uma escola uma equipa de técnicos de informação e vai daí ofereceu ao país uma aula (pra toda gente) sobre a matéria.

 

Então, entre estridentes risadas, o jovem professor dava a sua aula de sala cheia, enquanto – sustentava numa das mãos um pénis, que parecia  ser de pau – ao mesmo tempo que perguntava a uma aluna – aluna de sexo, bem se vê -  se queria ela agarrar no dito, ou se preferia embarretar o pénis com o preservativo que ele, o mestre, na outra mão sustentava.

 

A aluna de pronto disse preferir ser ela a enfiar o preservativo no pénis, e vai daí o professor diz “não, não; é importante saber enfiar o preservativo, temos do apertar na ponta”. Perante isto – eu que nada tinha a ver com a aula, mesmo assim - fiquei constrangido porque não sabia tão importante preceito quanto ao modo de usar um preservativo; mas a minha geração não foi ensinada a tanto.

 

Agora, só agora, compreendi porque estamos tão deficitários em matéria de conhecimento. Como havemos de chegar ao pelotão de frente da nossa Europa da união se nem tão-pouco sabemos – agora já sei, aprendi na televisão - essa coisa tão elementar como seja meter a pureza de Vénus no pénis.

 

Enfim… cegos a ensinarem caminhos a surdos?

 

Mas a sério, muito a sério, estamos – o país está – perante questão muito séria. Com efeito, como contributo, digo; providencie-se nos curricula escolares – em que ano? - uma disciplina, com disciplina, de educação cívica e por certo que ganharemos outra postura e sempre havemos de ficar mais preparados para vencer as adversidades do futuro.

 

Leiria, 6 Março 2003



publicado por Leonel Pontes às 09:43
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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