Segunda-feira, 13 de Junho de 2011

Isto está difícil; é o que se ouve dizer a todo passo. E poderíamos ter evitado o estado a que o país chegou? Talvez, bastava que quiséssemos, o país é nosso, nós é que mandamos no país – ou deveríamos ser! -, não foi para isso que se fez uma revolução pró-democracia?

 

Mas não quisemos. Não quisemos. Pronto. Não quisemos! Entretivemo-nos com outras questões e negligenciámos a democracia. Para que esta prospere, obviamente, terá de haver responsabilidade; responsabilidade colectiva. Todos temos de ser responsáveis.

 

Também não era preciso que fossemos responsáveis à maneira de Singapura; onde não há um grama de droga para negociar, não há uma parede com grafites, não há uma beata de cigarro no chão, não é atirada uma escarradela prá rua, não há indigentes, prostitutas e outros desvalidos a vaguear, não existem leis ambíguas, como não existem políticos trauliteiros; um que seja. Como não se falsificam actos eleitorais partidários. Tudo porcarias que temos cá em excesso.  

 

Nós, em vez de democracia responsável, preferimos estabelecer correntes de forças. E, a elas nos ancorámos. De um lado posicionaram-se aqueles que acham que têm sempre razão, e por isso dispostos a infligir sempre castigos; os reivindicativos militantes. Do outro lado da paliçada os subservientes do poder, sempre dispostos à concessão do reforço.

 

Sem querer ver no vespeiro em que se andavam a meter lá renovavam a confiança; ora a uns, ora a outros, sendo certo que cada vez mais pobres íamos ficando, embora sempre na expectativa de lograr melhor nível de vida.

 

A vida política e social portuguesa foi sendo infectada pelas ideias do lassez-faire impostas por parceiros espertos que foram produzindo e amealhando enquanto nós, e outros – valha-nos isso! -, fomos desconstruindo as estruturas do país. E nem foram capazes de ver que as contas do país de fiáveis, nada tinham. Uma lástima que acabou por virem à tona.

 

Enquanto isso para saciar as constantes reivindicações, os governos – também eles para não perderem benesses -, para se manterem onde nunca deveriam ter assento, todos sem excepção. Mas, o celeiro era finito; não há mais concessões de reforços!

 

Agora só nos resta esperar que tenhamos um governo sem “mulas velhas” Ninguém dos que já por lá passaram merecem uma cadeira, na melhor das hipóteses um mocho, um mocho, ancorado numa justiça idónea e célere.

 

Leiria, 2011.06.13

 

 

 



publicado por Leonel Pontes às 16:59
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
mais sobre mim
Junho 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
14
15
16
17
18

19
20
21
22
24
25

27
28
29
30


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO