Sábado, 25 de Junho de 2005

 “Em tempo fora-nos pedido por um grupo de cidadãos, todos eles com responsabilidades autárquicas, opinião sustentada sobre os relatórios de gestão e contas dos exercícios de 2003 e 2004 da Câmara Municipal de Leiria, tarefa que declinámos.

 

Porém, face a razões, ponderosas, entretanto avançadas e porque perante os documentos presentes ressaltam evidências por demais evidentes – passe a redundância – aceitámos tão-só analisar de modo informal a peça contabilística “balanço” e sobre esta expressar interpretação técnico-contabilística.”

 

Este conteúdo foi publicado na edição de 20 de Maio findo, sob título em epígrafe.

 

Não tivemos dúvidas em exarar opinião, do que a nossos olhos fora dado interpretar, bem como não tivemos quaisquer dúvidas em habilitar aqueles cidadãos com um breve texto composto de 8 folhas descriptando a seus (deles) olhos elementos que afinal já eram e são públicos – e, por sinal, contestados também por deputados municipais - e aí, entre o mais, deixámos brevíssima conclusão da nossa interpretação e que, em síntese, fora “dir-se-á que a informação tornada pública, tal como nos foi presente, não é credível, sendo que as divergências encontradas hão-de merecer, a seu tempo, dos órgãos de fiscalização, nomeadamente o Tribunal de Contas, pedido de esclarecimentos adicionais e a inerente correcção dos dados em apreço”.

 

E mais dizemos hoje e agora; o que nos fora dado observar era de tal modo um descaracterização dos princípios e normas contabilísticas que acabámos por observar razão de ciência entre mestres desta ciência contábil e tal como a define um ilustre catedrático, quanto a matéria de análise de balanços quando diz “de entre os vários critérios que existem para analisar balanços o que melhor pode oferecer opinião fiável é o fundamentado em modelos científicos[1]” e aqui, obviamente, se inclui o “patrimonialismo” (citado em caixa no RL) consignado no POCAL aprovado pelo Dec-Lei nº 54- A/1999 de 22 Fev e alterado pelo Dec-Lei nº 84-A/2002, 05 Abril.

 

Entretanto, vem a Presidente da Câmara, insurgir-se contra o que escrevemos, sabendo ela muito bem – porque é TOC, vamos ver se é! - que não desrespeitámos nada do que sobre a matéria está estatuído, antes assegurámos o que legalmente está estabelecido, ou seja; “os Técnicos Oficiais de Contas, no respeito pela lei, devem aplicar os princípios e normas contabilísticas de modo a obter a verdade da situação financeira e patrimonial das entidades a quem prestam serviços.” Sendo que quem nos solicitou interpretação às contas da CML – com legitimidade para tanto - desde logo deixámos claro que o prestávamos graciosamente.

 

Em consequência e de sopetão, pela imprensa tomámos conhecimento de conteúdos atentatórios da nossa dignidade profissional. Mas, Santo Deus, onde estamos nós portugueses e meus caros leirienses, então se as contas da Câmara Municipal estão uma lástima, quer a Senhora Presidente derrogar o que sobre a matéria está legislado, obrigando-nos a dizer que está certo, o que errado está? Onde está a independência profissional dos TOCs e a liberdade dos cidadãos?

 

Pelo amor de Deus não queiram africanizar o nosso país - e temos todo o respeito pelos habitantes de África (e pelos brasileiros instrumentalizados par contra nós tecereem opinião, também! -

 

Não queremos nem devemos misturar profissão com política, com a baixa política que a Presidente da Câmara de Leiria ensaiou, afinal foi o que vimos (coisa assaz curiosa) a pretexto de uma questão do foro profissional, ousou montar uma campanha de marketing político conectado com um linchamento na praça pública deste cidadão, só porque não lhe é submisso nem alinha em jogos e sempre provará o que diz e sempre haverá de pugnar pela verdade e pelo rigor, ainda que – à falta de obra sua, Senhora Presidente – peça a acólitos também decapitação para posterior apresentação da minha cabeça em praça pública como um troféu.

 

E, já agora, de tudo o mais que por aí se ouve falar também sou o culpado? Por favor, tenha bom-senso e faça as coisas com lisura; ficava-lhe bem melhor do que a miserável imagem que vêm dando de Leiria.

  

Leiria, 2005 Junho 10



[1] Coisa diferente é pretender que os balanços reflictam não a verdade, mas o que se quer



publicado por Leonel Pontes às 00:08
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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