Domingo, 16 de Dezembro de 2007

Não vai distante o tempo em que o modelo de gestão da “coisa pública” seguido na Irlanda era enfatizado; produzia-se muito, bem, bom e barato; ganhava-se melhor e poupava-se mais; as taxas sobre a despesa e o rendimento eram baixas; usufruíam-se regalias sociais quanto baste, e por aí adiante.

 

Como S. Tomé - ver para crer - neste caso para perceber, além do que lia e ouvia quis ver com os meus olhos para tirar teimas e foi até à Irlanda. E, na verdade aquilo – como soe dizer-se - é vinho de outra pipa. - Pese embora, do dito falando, este não é nada barato – nem melhor do que o nosso - é importado da Austrália, da outra da Commonwealth da qual também fazem parte.

 

O taxista disse que todos os anos vem a Portugal passar férias, a Sesimbra, para comer “sardinas” e beber vinho “gatao” – mal sabia que gatão não é vinho – pasmo fiquei com a sua educação “publica” e sobre isso croniquei na altura e do seu respeito ao próximo – não fumam em espaços fechados. Da sua tecnologia de ponta, e dos carros, muitos, topo de gama made in Inglaterra. Enfim, só agora - há dois anos atrás - estavam investir numa rodovia moderna de ligação do aeroporto para o centro da capital.

 

Porém, agora o modelo mais falado, o modelo a servir de exemplo, já não é o Irlandês, mas sim o Finlandês e também aí fomos apreciar o seu progresso e daí trouxe conhecimento.

 

Uma vida de fazer inveja a qualquer mortal. Aliás, uma só empresa - para a qual todos ou quase todos contribuímos ao adquirir a sua tecnologia, telemóveis - é qualquer coisa de importantíssimo, tão importante que só essa contribui para o tesouro com gorda fatia. Até apetece viver ali, pese embora o muito frio.

 

Mas, para que este não de aposse dos corpos, em vez de transportes públicos quase tudo anda de bicicletaem plena Helsínquia, onde não faltam ciclo-vias.

 

Ao começar o novo ano devemos ter pensamento positivo e esperança que tudo melhore, aliás uma necessidade nacional. Mas, nem sei porque escrevo, mas também sei que, se ninguém escrevesse este país era lástima ainda maior, e por amor à verdade, que não sendo mau de todo, Portugal é o país que somos. Somos assim, todos sabemos de tudo, não medramos secos pelo mal de inveja e o melhor que temos é now-how de café.

 

E vai daí pomos rótulos e mais rótulos até à autofagia. E elegem-se bandeiras, e dizemos que o mal é da corrupção e fazem-se filmes sobre “corrupção” sem qualquer sentido pedagógico, escabroso. E, com toda esta toleiríce vamos vivendo dizendo que há corrupção e quando se chega a hora de fazer prova, ninguém prova coisa que o valha.

 

Entretanto, com explicação a contento veio a imprensa dizer que afinal “a justiça é mais corrupta do que o futebol” e fundamenta a opinião num estudo produzido pela polícia judiciária que mostra que as autarquias lideram investigações de corrupção e dizem que “durante o ano de 2006, as investigações de corrupção na Justiça (envolvendo, por exemplo, funcionários judiciais) superaram os processos da propalada corrupção no desporto, onde está o incluído o mundo do futebol”.

 

Poderíamos arranjar matéria crónica mais airosa para fim d’ano. Enquanto pairar esta nuvem sobre as instituições, sobre os cidadãos, sobre o país, por certo não vamos a lado nenhum, daí que quando alguns estrangeiros vêm para investir em Portugal, logo abandonam a ideia e partem para outras paragens, até o homem do futebol, o sueco, trocou o nosso país por Espanha para edificar empreendimento de monta.

 

As nossas instituições não são céleres, não se compreende o modelo de gestão da “coisa pública” a coisa emperra a todo o passo e logo se ajuíza: eles – os portugueses – são mesmo corruptos. É urgente e imperioso que se faça uma campanha nacional levantando a imagem, custe o que custar! Caso contrário nunca seremos exemplo para ninguém, nem para nada, pese embora o charme conseguido com a presidência europeia.

 

Leiria, 2007.12.16



publicado por Leonel Pontes às 09:34
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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