Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

 Não se tem falado noutra coisa; corrupção. Importará saber o que é a corrupção, sendo que conceptualmente diversos são os significados dados. Comummente “corrupção significa deterioração, quebra de um estado funcional e organizado. Corrupção política - manifesta-se por meio do suborno, intimidação, extorsão ...”

 

Mas, seja qual for o significado o certo, é que, o tom tem vindo em crescendo. E, de tal modo agudo que a agenda do país é a corrupção. Curioso também é, que não se fala só em Portugal da corrupção de Portugal. Quem sai fora constata que, também por lá, se fala de Portugal, pelas piores razões; um país de gente em quem não de pode confiar.

 

Razões hão-de haver, já que são as televisões que noticiam o vírus, de tal forma que até os nossos emigrantes perguntam o que se passaem Portugal. Portugal é um país de corruptos?

 

Além do mais, um dia destes, cá na praça, em sessão pública, até um ex-Ministro disse - mais ou menos assim – que o dinheiro que vinha para os Ministérios era todo roubado antes de chegar ao destino. A assistência ao ouvir a afirmação, gargalhou. A questão é grave, não é coisa que anime alguém.

 

Estas afirmações não foram ditas por um tontinho, merecem crédito! Ou somos todos uns tolinhos que achamos toda a piada às coisas ruins e depois damos umas risadas! O país não muda com risada? Precisamos de ser determinados e credíveis. Ou não?

 

Tendo em conta a importância que a questão “corrupção” tomou, só a podemos entender como um flagelo nacional, grave. Tão grave que voltou - ou vai voltar - a subir ao Parlamento, pelo que se poderá concluir que eles sabem coisas que o povo não sabe. Aliás, as mais altas figuras de estado elegeram mesmo a corrupção como maleita a erradicar.

 

Mas, será a corrupção combatível. Diremos, desde já, e sem mais apreciação, nem estudo, que não é combatível. Nem cá, nem em lado nenhum. Percebam isto Senhores políticos. E vejam, o que significa corrupção. Significa deterioração, quebra de um estado funcional organizado. Mas também é suborno, intimidação e extorsão. 

 

Quem governa este desgraçado país, deveria perceber que a corrupção não se combate. Aliás, sem citar mestres e estudiosos sobre o fenómeno, a corrupção só é objecto de combate nos países subdesenvolvidos. À contrário dir-se-á, numa palavra, que os países desenvolvidos; organizam-se. É o que precisamos, de uma organização transversal. Portugal, parece cair no âmbito dos subdesenvolvidos.

 

Se estivesse no patamar dos países desenvolvidos em vez de tanta verborreia política, outra coisa não se faria que não fosse organizar-se. Pese, embora, ultimamente, haverem sido tomadas algumas medidas, em matéria de organização, ainda que muito ténues.

 

A concluir ouso, dizer o que disse um pensador inglês, “o desenvolvimento não é de modo nenhum uma coisa fácil de atingir. Há duas maneiras de um homem o alcançar. Uma é pela cultura e outra é pela corrupção” Por cá, como nada se faz estamos condenados a desenvolver-mo-nos pela corrupção; e depois diz-se que se lhe dá luta!  

 

Enquanto português refuto o epíteto que somos um país de corruptos, antes somos um país desorganizado, prenhe de malandros. O poder local, o poder central – o poder, em suma – emerge dos partidos. Então, porque não se põem de acordo e fazem um debate, local, regional, nacional – sem medos e com verdades – pondo os nomes nos ditos?

 

Leiria, 2007.02.26



publicado por Leonel Pontes às 17:40
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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