Quinta-feira, 23 de Junho de 2011

O Rei Midas é uma história, um mito; ou uma história dum mito? Quantos ensinamentos os gregos de antanho deixaram ao mundo! Páginas de saber e de sábios. Tantos que deveriam ser vistos como um inestimável acervo de história e axiomas desenvolvimentistas.

 

Porém a Atenas de hoje pouco ou nada é respeitada no seu saber, e de um colosso do conhecimento descarrilou e colocou-se num humilhante papel de pedinte. O que diriam, hoje, os guerreiros daquele tempo, inclusivé os sofista da retórica?

 

Porventura diriam “mas onde foi parár a democracia que tanto nos custou!” E mais diriam: "pior que a inexistência desta é não ter crédito e cair em descrédito!”. Após três décadas de União Europeia, onde era suposto residir um novo Rei Midas da era moderna, deste cavalo estão a tombar para o abismo.

 

A confusão, a balbúrdia, a desordem, o descrédito, a falta de crédito impelem-nos à queda. Mas também a falta de um plano de contingência - para todos os membros da União - estruturado em tempo de paz (em tempo de actividade normal) são notórios. Daí que se promovam reuniões de emergência, de salvação, como a que vai ocorrer hoje em Bruxelas.

 

Para além de um mundo de convenções, este - o nosso -, é o mundo dos mitos; sobretudo é um mundo sem rumo. É duro dizer isto, mas é a verdade! Quem diria que havíamos de chegar a um tempo sem figuras de proa? Quem é a referência da Europa? Uma senhora com ar de cozinheira vinda de há pouco dum leste que ainda há dias sonhava com democracia! Quem mais.

 

Por muito que queiram ensinar – a correr – todo um povo de uma Europa governada à trouxe-mouxe, em nada vai adiantar nesta União sem união, sem liderança e decadente. De que servem lições motivacionais se vêm sempre acompanhadas de toques de midas. Que resultados poderemos esperar?

 

Infelizmente, não são só os gregos que desceram do pedestal do saber e da abundância. Também nós portugueses que demos novos mundos ao mundo, também nós que temos passado e história estamos a perder uma cavalgada  – como há pelo menos três décadas dizemos; escrevemos – que faria corar de vergonha o Dom Fuas Roupinho. Pese embora se haver salvo, inextremis.

 

Dados ao desenrasque, ao exercício do equilíbrio no arame e sem rede, como se o risco fosse a sua profissão, preferiram o toque de midas ao toque da realidade e de venda foram caminhando inflaccionando tudo em que tocavam sempre dispostos a levar a termo castelos de areia.

 

Porém tudo tem um fim, como o teve o império Romano e outros. O nosso é, o de regressar, ao ponto de partida, pelo mesmo caminho trilhado; não havendo mais varinha de condão que continue a produzir riquezas, à midas. Só um caminho nos resta “motivar, organizar e apoiar” o trabalho.

 

O toque, o de ordem, dos tempos modernos é “arregaçar mangas e mãos ao trabalho e ala que se faz tarde”

 

Leiria, 2011.06.23

 



publicado por Leonel Pontes às 11:40
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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