Quinta-feira, 14 de Julho de 2011

Algumas vezes – em 2008 e 2010 pelo menos duas – aqui, e não só, abordei questões de rating, nomeadamente quanto aos seus efeitos. Mau grado, o que então previra veio a confirmar-se em 2011 de tal modo que a agenda política tem marchado a compasso da crise económica versus ratings.

  

As agências de notação financeira, todas sediadas no novo continente bufaram à Europa um sério calafrio; cujos efeitos ainda se desconhecem. Por enquanto só deram em espirros.

 

E não fora a questão ser transversal a toda a Europa, o vírus, qual pneumónica, tinha-nos levado a funestos desenlaces; valha-nos o amparo de um Santo protector, que ainda não conhecemos. 

 

Mas valerá a pena reflectir um pouco sobre a questão, porquanto os efeitos daí advenientes não são exclusivos da velha Europa, como querem fazer crer, nomeadamente ao mundo económico e financeiro.

 

É certo que reconstruída a Europa do pós-2ª Guerra Mundial, na base da qual esteve a construção da União Europeia, as políticas seguidas foram sempre no sentido do sacrifício de recursos, entenda-se matérias-primas, sem o consequente retorno, não só económico, mas sobretudo social como se em vez de petróleo tivéssemos uma árvore das patacas a amadurecer dinheiro de empreitada.

 

E foi por causa da árvore, não das patacas, mas a do dólar que a coisa ganhou tomo. Ou seja:

 

O novo continente liderado pelos EUA para além de haverem cunhado moeda, nomeadamente em 1971, para além do seu valor fiduciário, levaram a que todo o mundo tivesse de fazer os seus negócios, com o respectivo contra-valor, em dólares o que conferia aos americanos ganhos financeiros sem que mexessem uma palha.

 

Tais políticas foram seguidas nomeadamente nos negócios do petróleo e daí a famosa expressão dos “petrodolares”.

 

Sem avaliar as politicas - nem tão-pouco ser esse o meu fito -, se se fizer uma busca pelos países produtores de petróleo, todos aqueles que unilateralmente derrogaram normas criadas no seio da OPEP sob a batuta americanos (e que via disso asseguravam os tais ganhos sem nada fazer) os países que furaram a malha ao venderam as suas matérias-primas noutras moedas sem a intermediação do dólar, todos sofreram guerra efectiva pelos mais diversos pretextos, mas nunca com o argumento dólar.

 

Com efeito, hoje, os americanos mercê dessa politica de esmagar o outro antes que esmagados sejam, vêm por via agências de rating dizer que os maus são os europeus do “€uro”. E porquê? Porque a moeda europeia não pode vingar, sob pena de relativizar a política americana.

 

Estará, pois, a economia americana mais racionalizada que a Europeia? Não, não está! E podem os europeus auditar as contas dos americanos para aferir da bondade dos seus ratings, também não.

 

E por via disso pode acontecer o quê? – o que já está a acontecer - os americanos apenas estão a dar show de bola chutando para a frente em finta corrida, tentando driblar as economias do €uro.

 

Dai que, a meu ver, por evidente temos que o Império Americano alicerçado no petrodolar também vai ruir, disso não restam dúvidas, bem como dúvidas não restam que se a classe política europeia não assentasse numa política de cozinheira alemã, ou de garanhões franceses, ou mesmo de um mole Durão português, sempre subservientes aos states, outro galo cantaria. Oh se cantaria!

 

Leiria, 2011.07.14



publicado por Leonel Pontes às 12:37
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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