Terça-feira, 26 de Julho de 2011

O que aconteceu no último fim-de-semana na Noruega foi algo que poderá ser visto como um tremendo safanão nas consciências.

E podê-lo-á ser visto como facto que no mínimo tocou nas consciências, se a consciência no seu sentido mais lato é a capacidade do homem se perceber ante mundo que o rodeia?

 

Dir-se-á então que o facto foi (é) um acto anti-consciência porque ao arrepio desta decorre. Mas seja o que for não deixa de ser um acto bárbaro cometido por alguém que vivia em sociedade num ambiente de luta permanente consigo mesmo, a avaliar pelo que de um modo geral a imprensa veicula, ou seja; Anders vivia uma revolta desde os 15 anos pelo abandono do pai devido a um divórcio. Factos que podem potenciar a criação de monstros.

 

Facto que pode ser interpretado pela insensibilidade de Anders à sua pena, ou à dor causada aos outros; duas breves razões para compreender que tivesse perpetrado a barbárie na maior das passividades.

 

E podê-la-ia ter cometido com um generalizado apoio da sociedade; podia. Podia!

 

Um dia quis perceber o que teria levado Hitler a “pretexto do apuramento da raça” a instalar uma indústria da morte (com a passividade social dos povos) em Auschwitz. Desloquei-me ali para perceber o que os tempos ainda não apagaram. As minhas dúvidas subsistem.

 

Pois sim; mas vivia-se em guerra! Mas antes de haver guerra havia um político que queria ser governante e depois de o ser fez o que de um modo geral todos à posteriori vieram dizer que não perceberam como foi possível uma chacina de milhões de humanos. Uma, pelo menos uma, conclusão poderemos tirar; Hitler era (foi) um sociopata.

 

Mas foi o único? Não! Idi Amin cometeu também barbáries continuadas, esse não incinerava os corpos, antes se dava aos prazeres do prazer; comia-os.

 

E os Gulag de Estaline o que foram? O que acontecia a todos quantos diferentemente de si pensassem? Milhares, milhões de mortes lentas. Mortes de sofrimento; insensibilidade à dor dos outros.

 

O que foram aqueles governantes. Foram uns sociopatas que a pretexto disso diziam querer mudar o mundo. O mesmo que Anders disse aos dias de hoje.

 

Não fora a sua precipitação e poderia ter como resultado final uma chacina de vastas proporções. Ah, mas aos dias de hoje isso é (era) impossível. Impossivel aos dias de hoje já não há nada.

 

Há tempos atrás um amigo diziam-me: isto está tudo virado do avesso, deveríamos promover um grupo de reflexão. E de facto assim é, no mundo – onde estiver um homem – deverá haver um repensar social em ordem a educar, formar, orientar e precaver doenças que gravitam no córtex cerebral que quando não detectadas a tempo dão em desgraças.

 

Leiria, 2011.07.26



publicado por Leonel Pontes às 10:01
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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