Terça-feira, 01 de Fevereiro de 2000

De Timor apenas conhecia o que em geografia se ensinava e o slogan do regime que não se cansava de dizer que Portugal ia do Minho a Timor, nada mais.

 

Porém, em 1971 quando ingressei nas fileiras do exército longe de mim estava a ideia que daí a algum tempo haveria de conhecer as terras que o sol ao nascer vê primeiro. Jamais me desinteressei por Timor e por isso aí escrevi no jornal “Província de Timor“ então dirigida por José Manuel Ramos Horta.

 

Também por cá, tenho vindo a denunciar não só neste jornal as atrocidades cometidas naquele paradisíaco pedaço de terra, agora reduzido a escombros; terra queimada, as imagens televisivas não mentem.

 

Sei bem que os indonésios sempre foram hábeis em se descartaram daqueles que lhes eram (são) incómodos atirando-os, nomeadamente,  para as ilhas de coral, elegantemente chamavam transmigrações ao que mais não eram deportações.

 

Mas, por cobiça, Timor sempre viveu tempos horrendos. Já aquando da invasão pelos Japoneses  que daí só abalaram com o armistício de 1945, já então as denominadas colunas negras ou seja as melícias de hoje, assaltavam as populações em autenticos massacres de extermínio. Leiam “Quando Timor Foi Notícia “ de Cacilda Liberato.

 

Naquela época ficou irremediávelmente perdida a ilha das Flores, logo ali ao pé mas que os indonésios no meio das confusões, aproveitaram para a anexar. Mas, a vida em Timor sempre foi fértil de escaramuças surdas, e em 1973 o navio  “Arbiru“ foi usurpado, embora os indonésios, naquele seu jeito sádico, sempre tivessem negado que o desaparecimento do navio não havia sido obra sua.

 

Jamais se soube da tripulação, dos passageiros, dos portugueses, dos militares que aí de deslocavam com destino a Singapura. Tudo foi abafado.

 

Sobre Timor, existem acontecimentos, que só gente de mau caracter pode praticar.  Mas o que é perfeitamente surrealista, o que qualquer mortal por mais que lhe seja explicado, nunca entenderá, é que uma organização como as Nações Unidas tenha sido ela mesma a permitir mais este genocídeo, porque a ONU não é governada por um qualquer liurai (chefe de suco).

 

A ONU é uma organização onde tudo é, pensava eu que era, estudado, organizado, estrtuturado, dirigido por gente fora de qualquer suspeita de incapacidade ou minoridade, pelo que não se compreende a avaliação levada a cabo, cujos pressupostos conduziram, não uma pequena povoação, mas todo um povo foi atirado às feras.

 

Portugal, o mundo para além de implorar urgente ajuda, dever-se-à também pedir imediata substituição do Secretário-Geral da ONU e de toda uma máquina que não percebe que não pode estar à merçê de um só país, bem se sabe que os EUA suportam grande parte do orçamento, mas sejamos humanos, deixar arrazar um território dizimando o seu povo, é razão para pensar que quem devia ter exigido e podendo-o fazer se escusou é razão para condenação.

 

Por isso, penso que a bagunça que reina na Indonésia, irá dar o mesmo tratamento ao senhor Habibi, ao senhor Alatas, ao senhor Wiranto que estes e seus pares deram ao povo de Timor. E não me custaria nada a apostar que o que aqui digo venha a ser uma realidade, aliás a sua história tem vindo a ser escrita neste sentido, o senhor Shuarto outra coisa não fez do que eliminar pessoas, como a maior das facilidades.

 

Os déspotas, os ditadores, os assassinos, acabam por morrer aos pés dos condenados.



publicado por Leonel Pontes às 14:44
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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