Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Tenho claríssima consciência que estou a meter-me num vespeiro – mas como há p’raí uns melrinhos que, em tempo, pediram a minha expulsão do PSD – nem sei como é que isso está! Mas sei que têm uma lata, procuraram enterrar-me vivo e agora ainda me vêm cumprimentar e dizem que é por amor, por amor à unidade –

 

Como entretanto, apanhei um tremendo raspanete do meu amigo S. Pedro não tenho medo de novas ameaças e, por isso, não quero deixar passar o meu prazo neste mundo, sem contar umas estórias. Mas, por enquanto só contarei o que menos escabroso for.

 

Nem no tempo do António das Botas, se via (viram) coisa assim. Vejam só se esta gente do PSD é gente de senso!

 

Já lá vai uma década. Era eu candidato à presidência de determinada organização profissional nacional. A páginas tantas comecei a ver o caso malparado, as coisas extremaram-se. A campanha descambou; "os socialistas e, os social-democratas".

 

Vendo que estava a perder terreno e ante o andamento da campanha percebi que toda a máquina socialista estava empenhada em ganhar aquela eleição – e, eu até dizia, não há socialistas nem social-democratas, o que há, são profissionais, embora tivesse a clara noção de que não éramos todos farinha do mesmo saco – e perante a luta de campanha vi-me obrigado a socorrer-me, também dos préstimos do PSD via secretário-geral – hoje Presidente de Câmara – que me despachou num ápice “ah, mas nós não podemos fazer nada, vai falar com o Presidente dos TSD’s esse é que pode”. O conselho nem foi mau mas, por mais tentativas que fizesse não consegui chegar à fala com o dito.

 

E, eis se não quando, vou aos Açores – com a minha equipa de campanha – eis se não quando, apanho – coisa de milagres - o dito no hall do hotel. E, de pronto, antes que se fizesse tarde, falei-lhe do que me levava aos Açores e bem da necessidade, por mim entendida, que havia em aquela estrutura dar também apoio a uma candidatura nacional. O Senhor presidente dos TSD’s descartou-se logo.

 

O que constatei, então? É aqui que começa a estória. Constatei que de facto não existe (não existia, será que já existe?) nenhuma estrutura nacional sindical de trabalhadores social-democratas, o que existia era um Senhor que tinha, parece que ainda tem, um ficheiro informático lá em casa e que disse ser seu.

 

Portanto não o disponibilizava. E logo concluí que não existia estrutura sindical nenhuma, o que havia apenas era para dar lastro às candidaturas, dele pseudo presidente, a deputado e que, de quando em vez, também é candidato à presidência duma Câmara Municipal. Aliás, coisas à Judas.

 

E, para dizerem que existem, fazem uns congressos onde quem quer vai botar palavra, dá largas à sua retórica, e pensa que está a ter alguma utilidade. Mas fala para dentro! Depois, regressam aos seus lares contentes e satisfeitos porque disseram umas coisas de política sobre o país e o sindicalismo e ainda dizem - eu nunca fui lá, mas parece que é assim – “disse lá umas coisas, que eles hão-de ficar a saber quem eu sou!”.

 

Mas em verdade é que de tudo o que fora dito não serve rigorosamente para nada, serve o esforço de uns quantos, bem intencionados, para politicamente sustentar umas candidaturas para madornar na Assembleia da República.

 

Por amor à verdade e ao desencanto, tinha que dizer isto. E, espero que os verdadeiros sindicalistas social-democratas ajudem o país a sair do fosso em que vai caindo. Corram com os oportunistas e com o voto democrático, que só o é, se for “eu” o candidato, porque “sou eu” o dono da bola!

 

Leiria, 2008.01.14



publicado por Leonel Pontes às 10:04
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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