Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

Não é líquido que consiga explicar, porque incompreensível, a situação (abstrusa) que em Portugal vai fazendo doutrina; ocultação, ou a divulgação de contas erradas por entidades investidas de poderes públicos; como é o “buraco” financeiro da Região Autónoma da Madeira.

 

E, o que nos vem agora dizer o façanhudo político? Mais ou menos isto: “se disséssemos a verdade não nos deixavam fazer obra e, por outro lado, o governo da República nos últimos trinta e tantos anos nada fez aqui (na Madeira), nós é fizemos tudo”.

 

Nestas quase quatro décadas de democracia o país produziu um vasto acervo de normas em ordem a regular a actividade económico-financeira das empresas, mas também as actividades do poder local e regional.

 

Tais normas que pouca valia trouxeram à gestão da coisa pública todas estão subordinadas a uma simplicíssima regra de análise; o debt equity. Ou seja, economicamente, todos podem investir desde que financeiramente tenham assegurada a inerente capacidade financeira.

 

Porém os poderes públicos sempre se borrifaram para o cumprimento de normas ignorando o debt equity, vulgarmente conhecido pelo rácio de endividamento. Resultando daí um incomensurável endividamento, sobre o que estamos agora a pagar juros incomportáveis.

 

Mas Santo Deus, logo os madeirenses que são tão tementes! Essa rapaziada exorbitou. Todavia, é mandatório que se responsabilize também os organismos de fiscalização e vigilância que não cuidou de assegurar as auditorias às contas e bem assim quanto ao que de subjectivo destas possa resultar, tal seja; “quem cabritos vende e cabras não tem de algures lhe vem”. Qualquer coisa como os sinais exteriores de riqueza nas empresas de estado.

 

A Madeira fez obra, mas sem que se soubesses de onde vinha a fonte de financiamento. E, então como pagaram? Não pagaram! Arrumaram as facturas para trás do móvel. Esconderam, violaram as elementares regras de gestão. Cometeram fraude. E por via disso estão insolventes. E agora? Agora, a coisa é fácil de resolver.

 

Portanto, façam lá na Madeira, os necessários aumentos de impostos e paguem as vossas contas. Porque havemos de ser nós a pagar as dívidas feitas pelo desbragado Joâo? Porque têm de ser os pobres transmontanos, muitos deles a viver em casas de pedra crua e que nunca viram o mar a pagar o faustoso viver dos madeirenses!

 

Mas o governo, os governos em geral, encontram sempre o expedito meio de aumentar os impostos. Não! Não meus senhores, os impostos locais têm de servir para pagar os investimentos locais. Por favor exija-se a racionalização dos meios, ponha-se essa gente a pagar as suas contas com o seu dinheiro. Talvez assim, se perceba que não estamos a exercer uma política de tasca com “rodadas de copos de três”. Cada um tem de pagar o que bebe.

 

Com frequência fala-se das empresas e todos dizem querer o seu bem, mas o bem como as tratam é fazendo-lhes pagar mais impostos para suprir má gestão levada a termo pelos medíocres políticos. E depois dizem que vamos crescer no ano de 2012. Com as medidas que estão a ser tomadas nem uma décima que seja!

 

Diz-se também que as nossas leis não permitem que possamos responsabilizar os nossos lídimos gestores da coisa pública. Mas se as leis não permitem, faça-se lei que o permite. Ah, mas a Assembleia da República não quer. Pois se não quer, passa a querer, sob pena de estar a destruir o país.

 

E quando a bancarrota entrar pela madeira adentro (as águas estão a subir rapidamente à proa) vai tudo o fundo. Por isso de que nos vale a democracia e o respeito por leis que só servem para ocupar uns líricos!

 

Ontem, ouvindo o Prof. Dr António Damásio, a propósito da “neurologia do sentir” quanto às capacidades cognitivas humanas o mestre vincou que “o drama do dia-a-dia são as invenções de soluções criadas pelo ser humano”

 

Leiria, 2011.09.22



publicado por Leonel Pontes às 19:10
Subscrevo. Assimé fácil fazer obra.
Anónimo a 22 de Setembro de 2011 às 21:06

A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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