Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

Leiria sempre foi assunto de conversa, se não foram as prosas do Eça, foram outros os motivos. Ultimamente foi por via da inutilidade do estádio e a consequente dívida gerada pelo investimento.

 

Os estrangeiros (alguns com quem falei) vêem-nos e comentam-nos com ironia; pese embora dizerem que adoram Leiria, nomeadamente as vistas pró Castelo e a sua gastronomia.

 

O país inteiro comenta e faz chacota e não há ninguém que não folgue em dar o seu bitaite; desde o cidadão comum até a ex-ministros como se tivessem consigo a razão de ciência pró caso; mas não dizem qual para além da implosão.

 

Porém, recordamo-nos de ter lido num relatório de auditoria emanado do Tribunal de Contas que Leiria (Câmara) com a construção do estádio tinha hipotecado o seu futuro para, pelo menos por duas décadas.

 

Ao tempo nem se sonhava com tsunami económico cujas ondas de choque percorrem não só Portugal, a Europa, bem como todo o mundo desenvolvido, posto que os subdesenvolvidos como nunca usufruíram do bem-bom agora também não sentem as tsunâmicos ondas.

 

Com efeito, assumamos que falimos e deixem-se de asininas implosões pró estádio. Ao arrepio de tudo o que vem sendo dito, sempre dissemos que o imóvel era recuperável e demos “n” sugestões ao accionista, que sempre negligenciou. Estava no seu direito!

 

Então porque voltamos agora à vaca fria do almoço? Voltamos à vaca porque em tempo recente dissemos que aquele espaço era viável económica e socialmente. Na sequência fomos provocados (no bom sentido, compreenda-se) para dar uma outra sugestão para salvar o imóvel.

 

Vamo-nos repetir nalgumas das sugestões perguntando; Leiria tem um pavilhão para a prática desportiva para todos e outros afins? Não. E não é uma pena (vergonha até) que uma Capital de distrito não ter um espaço para a prática de desporto? É.

 

Então se é, a coisa é assim: a Câmara quer ver-se ressarcida da dívida e por isso quer vender o estádio por 65 milhões de euros. Mas como entidade de bem tem de assumir os seus maus negócios, bem como a própria banca. Quem faz maus negócios sofre consequências. Ou não é?

 

Portando, na melhor das hipóteses aquele espaço não valerá mais que o seu valor inicial de investimento, ou seja trinta e sete milhões e meio de euros (e já fica para além do rácio investimento/cadeira)

 

A autarquia tem de fazer uma acção de Marketing junto dos seus fregueses, propondo-lhes a bondade de um negócio na linha do que a seguir se esquematiza, ou seja, não pode receber mais do que a cifra acima pela venda do imóvel desportivo.

 

Em contrapartida vende um lugar/cadeira a 25 mil cidadãos, tantos quantos os lugares existentes, pela cifra de “mil quinhentos euros”, cada.

 

Investimento Cadeiras Custo/Cadeira Custo ano (10) Custo mês
37.500.000,00 25.000 1.500,00 125 13,89 €

 

Se esses 25 mil cidadãos tiverem em conta que a prática do desporto traz saúde, prolonga a vida, gera bem-estar qualquer cidadão ao adquirir um título de co-propriedade de um empreendimento com a faustosidade do ora proposto adquirir perceberá que tendo por meta um investimento a 10 anos com relativa facilidade disporá de mil e quinhentos euros, ou seja um gasto à volta de 14 euros mês, menos do que apenas um almoço em qualquer das casas gastronómicas da urbe.

 

Negócio fechado?

 

Leiria, 2011.14



publicado por Leonel Pontes às 18:22
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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