Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

Desejando evitar a inquisição para proteger aquele que viria a ser um vulto da história, os pais fugiram de Portugal (século XVII) e assentaram arraias nos Países Baixos; Amesterdão, onde haveria de nascer o menino Spinoza. Ali cresceu, foi educado, estudou e estudou outros vultos do saber como Sócrates, Platão, Aristóteles e outros.

 

Quando homem, o que queria (desejava) verdadeiramente? O mundo melhor. E, daí a sua recomendação maior de que para viver uma vida bem vivida esta deveria alicerçar-se “num comportamento ético e num estado democrático”. Aos tempos de hoje nada de transcendente.

 

Os seus contributos para a sociedade holandesa foram de tal tomo que o seu retrato foi impresso nas notas de 1.000 florins da Holanda e por ali se manteve até à introdução do €uro em 2.002. Os portugueses são boa gente, simpáticos, amigos do seu amigo (e são, mesmo?), bonacheirões até, mas daí até reconhecerem mérito a um estrangeiro colocando a sua esfinge na nota (moeda) maior de Portugal é coisa difícil a admitir.

 

Os tempos, os séculos, foram passando e aqui chegados, sem o menor respeito por todos quantos fizeram a história, uma história de dois mil anos e era esta que interessava a Spinoza, a dC, para essa nós portugueses contribuímos com quase mil anos. É obra!

 

Hoje a azáfama não radica no nosso país, mas numa Europa em convulsão precisamente por causa da moeda (do dinheiro) e tudo está a acontecer contrariando, renegando até, a história. A Europa não está a seguir nenhum sistema de comportamento ético, e menos ainda um estado (uma União) democrático.

 

E porquê? Porque os genes dos alemães e outros da mesma estirpe estão eivados do mal e por isso se percebe hoje que os alemães não tivessem visto mal no que Hitler fez ao povo europeu. A raiz do mal não foi extirpado e a meus olhos estamos perante um esquadrão da morte, cirúrgico, chamado eixo franco-alemão.

 

Não é satisfação para ninguém ser velho, mas é satisfação (histórica) ter convivido com gente que fazia a sua economia sem dinheiro. Era assim que os portugueses até à da segunda metade do século XX desenvolviam as suas actividades, nomeadamente agrícolas; as pessoas ganhavam tempo para mais adiante retribuírem. Esta prática era chamada de ganhar a “merecer”.

 

É certo que os portugueses na ânsia de tudo terem e pouco “merecerem” caíram no conto do… do futuro sem merecer o dinheiro que jorrava de algures. E se é certo que não há almoços grátis, não e menos verdade que não há dinheiro de borla. Agora temos de pagar não só o próprio mas também os juros.

 

Com efeito, dir-se-á que, contrariamente a algumas cabeças iluminadas, para que um homem honre o seu nome, o da sua comunidade ou do seu país, deve honrar as dívidas pagando-as, gerindo-as sim, mas evitando gerá-las. Isto é o mínimo para que possamos merecer confiança.  

 

O que está a acontecer à Europa é importante demais para ser deixado na mão dos políticos. Todos temos de saber mais, todos devemos saber o que foi a história, todos deveríamos saber que Portugal já foi visto com a "primeira aldeia global” dando novos mundos ao mundo. E daí? Vamos morrer como soe dizer-se na praia; sem dinheiro, sem prestígio, sem economia; sem os princípios prescritos pelo filosofo Spinoza.

 

Vamos voltar a trabalhar as leiras, vamos voltar a viver ganhando a “merecer” porque temos o que merecemos; confiámos em gente que se basta apenas si própria, sem comportamento ético e sem democracia. Querem ditadura maior que esta (não é culpa deste governo) que foi sendo alimentada por políticos de primeiro emprego. 

 

 

Leiria, 2011.12.12



publicado por Leonel Pontes às 13:35
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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