Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

O dia de hoje (21 de Fevereiro de 2012) deu forte polémica, política e social; como já dera no passado. Coisa jamais vista, o Primeiro-Ministro, inclusive foi desautorizado. E disse ele; estamos em crise, precisamos de trabalhar. Concordo. O tempo das vacas gordas já lá vai; é mesmo tempo de trabalhar e amealhar.

 

O país está de rastos, não há dinheiro – como soe dizer-se; para mandar cantar um cego -, estamos a viver e temos vivido a crédito; mandando as despesas pró livro. A tal propósito, têm faltado decisões políticas capazes de obviar o estado a que o país chegou.

 

Mesmo sendo dia histórico, o Carnaval é propício à diversão, daí que não é possível andar em farra sabendo que os credores estão de olho em nós. Ou esperam que sejam os demais países a pagarem as nossas folias?

 

Por isso, para além das minhas habituais tarefas, fiz o que de quando em vez faço; fui rever apontamentos do passado e quedei-me a reflectir sobre:

 

Durante as últimas quatro décadas assisti, participei, colaborei em “n” conferências, seminários, jornadas e demais eventos que versavam a situação económica, financeira e/ou fiscal do país à época e bem assim das suas perspectivas.

 

E vejamos.

 

Decorria o ano de 2003, mais precisamente o dia 23 de Janeiro. A Associação Portuguesa de Management levou a efeito um almoço-conferência numa unidade hoteleira de Lisboa da qual foram os conferencistas o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de então, Vasco Valdez e o saudoso Prof. Dr. Rogério Fernandes Ferreira; desassombrado na verbe.

 

E o que disseram? Obviamente, o óbvio.

 

O tema de base era o Orçamento de Estado, mas o “papo” debatido e rebatido foi; Portugal consome mais do que produz (nada que as estatísticas não dissessem) Mas a oportunidade aconselhava que se chamasse reiteradamente à atenção para o avolumar do défict.

 

E mais se disse; a máquina do estado gasta mais do que pode, nomeadamente em despesas com pessoal (por outras palavras; a máquina tem pessoal a mais)

 

E mais ainda; o país deve apostar no investimento privado numa economia integrada no espaço europeu. E, o que se importaram os europeus connosco? Nada, a não ser ordenar que nada se produzisse e tudo se importasse; ao que hoje se chama de “transacções intracomunitárias”.

 

E também se disse que o ideal seria encontrar um “mix” de modo a aumentar as receitas fiscais (moderadamente) e simultaneamente diminuir a despesa.

 

E assim decorreu a conferência. Preocupações, receitas possíveis, estímulo à economia, planeamento fiscal, atribuição de crédito fiscal ao investimento através da prossecução da constituição de uma reserva fiscal. Etc, etc.

 

Tudo medidas exequíveis, necessárias e urgentes.

 

Mas vivíamos e vivemos num país de forças antagónicas: de um lado estavam, como ainda estão, os sábios da política – muitos deles de primeiro emprego – que só debitam opiniões inócuas e que levaram o país à lástima a que se chegou.

 

De outro lado os bonacheirões dos eleitores que ficam sempre acreditaram que podem pagar as contas com promessas eleitoralistas. Os portugueses são mesmo assim; pode-se-lhes chamar tudo, menos pobres! Mas se é assim que querem, que seja feito à vossa vontade.

 

Mas quem paga a conta?

 

Leiria, 21.02.2011



publicado por Leonel Pontes às 15:38
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
mais sobre mim
Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
15
16
17
18

19
20
22
23
24
25

26
28
29


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO