Quarta-feira, 18 de Julho de 2012

Um economista ganhar o prémio Nobel da Economia não causará a menor admiração. Mas, se o galardão “Nobel da Economia” for atribuído a um Psicólogo, isso já causará admiração, porquanto estamos perante ciências que não são a mesma coisa.

 

Porém no ano de 2002, a academia das ciências “Alfred Nobel” atribuiu o “Nobel da Economia” a Daniel Kahneman, israelita de nascença, radicado nos Estados Unidos, um estudioso da natureza humana. Mas, verdade se diga que a surpresa acabou por ser uma “não surpresa”, porquanto pouca discussão mereceu, ou pelo menos não teve eco na sociedade científica.

 

Mas, o que disse de substantivo Kahneman que chamasse à atenção dos “louvados” da Academia de Ciências? Kahneman, em parceria com Tversky – entretanto falecido - levaram a cabo uma longa dissertação subordinada ao “pensar, depressa e devagar” contexto assente em dois constructos que visavam saber a mesma a mesma coisa “a decisão” mas tendo por base diferente rácia.

 

Ou seja, o humano é racional. Mas por outro lado o humano também suporta as suas decisões nas emoções. E foi entre estas duas razões de ciência que Kahneman encontrou, na subjacente heurística, razão para demonstrar que devido a erros de pensamento, sistemáticos, podem ser tomadas decisões à contraire do que seria certo e expectável.

 

E, ao arrepio das expectativas de âmbito económico, em particular dos tempos que correm, o que sabemos uma década depois do laureado ter dado à luz os seus estudos é que foi aberta uma porta que nos poderá levar a demais estudos, em ordem a garantir decisões que possam merecer maior consenso, e sobretudo maior satisfação.

 

No âmbito da Psicologia cabe sem tergiversações o “comportamento”. Mas, por outro lado, quando se aborda a ciência económica, a tendência vai no sentido de negligenciar o comportamento, mais parecendo que a economia é aquilo que for e pode ser tudo o que se quiser.

 

E, o “pensar, depressa e devagar” já para não abordarmos outras teorias do pensamento que encontram veiculo na linguagem? Não é coisa de suma importância para o desenvolvimento social?

 

Ou poder-se-á dizer que a desconstrução económica a que paulatinamente vamos assistindo radica nas más, péssimas, tomadas de decisão, quaisquer que elas sejam, porquanto a coisa não foi pensada, nem depressa e nem devagar ou ainda tais desconstruções são o “pão nosso” de cada dia; absurdo em que vivemos É este o caminho?

 

E poder-se-á tirar como conclusão de que a economia não é, nem pode ser só economia antes deverá ser “economia comportamental” Se for esse o caminho então por favor não pensem só racionalmente; juntem-lhe o “emocional” e já agora o social em ordem a que possamos construir uma nova estratégia: economia comportamental. 

 

Leiria, 2012.07.18



publicado por Leonel Pontes às 16:54
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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