Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

Não me lembro onde li um conteúdo sobre ambiente sustentável “o nosso futuro comum”. Aqui e agora pego na deixa do nosso futuro comum, porquanto os ambientes, entre os quais o ecológico não estão absolutamente nada sustentáveis. Acabamos de sair de um verão do qual diríamos excelente, não fora essa coisa terrífica que fustigou o país; os fogos.

 

Enquanto isso, relembro as minhas idas de bicicleta à Praia do Pedrógão, pela canícula. Nesse trajecto via o Pinhal do Rei limpinho. Assim como quaisquer outras leiras de pinhal; mato picado, empaviado e com algumas pazadas de terra por cima a fazer o necessário peso para que às primeiras chuvas fizessem entrar o mato em putrefacção, que a seguir serviria para estrumar as terras de cultivo. Pois! Mas isto foi noutros tempos.

 

Porém, hoje, para além do ambiente ecológico, a ciência ocupa-se de outras sustentabilidades, a económica, social, fiscal e outras; afinal o nosso futuro comum.

 

Durante anos, nas páginas da imprensa, e noutros sítios, tenho dado a texto pensamento ante o que vejo. E várias vezes disse e digo que a substituição das nossas actividades económicas por troca de aquisições comunitárias, estavam a criar distorções na nossa economia nacional, como a gerar altos níveis de insustentabilidade. E, bem se percebia que lá viria o dia em que alguém teria de pagar a conta.

 

E esse tempo chegou. Os agora credores, sempre sob a tutela da EU, canalizavam para o país dinheiro, qual Alves dos Reis. Como todos damos conta, para que o país possa sobreviver tem de continuar a pedir dinheiro para amortizar a dívida mais para continuar a adquirir bens alimentares e outros.  

 

Enquanto isso perdeu-se o hábito de cuidar das leiras, porque mandar vir de fora era mais barato. Diziam! Porém, temos de pagar a dívida. Comemos como bom ideias fantasiosas que só fome trouxe. E, não se tenham dúvidas, ela (a fome) está a afectar milhares de portugueses e muitos mais experimentarão a carência alimentar.

 

Em suma ninguém cuidou de assegurar modelos de sustentabilidade, tais fossem os ecológicos, os económicos, os sociais, os fiscais ou outros. Andámos a afundar-nos ao mesmo tempo que íamos assobiando para o lado esquecendo-nos que estava em causa o nosso futuro comum. E agora?

 

Os mais poupados, os mais conscientes, os mais trabalhadores, os mais honestos, os menos corruptos (embora a Cândida Almeida diga que Portugal não tem corruptos), todos esses têm de abdicar de largo quinhão dos seus contributos (direitos adquiridos) para solver a dívida portuguesa.

 

Agora sim, precisamos de um governo de salvação nacional que trace linhas de orientação exequíveis, implemente - não um plano quinquenal -, mas planos sectoriais de sustentabilidade, objectivos em direcção ao nosso futuro comum.

 

Leiria, 2012.09.13



publicado por Leonel Pontes às 16:09
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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