Segunda-feira, 01 de Outubro de 2012

Os governantes, os políticos, os empregadores, os sindicatos, os cidadãos em geral, todos crêem estar de posse das soluções certas para inverter a situação de desconforto económico e social em que nos fomos colocando.

 

Ainda assim, prenhes de soluções, a questão continua complexa, e de há muito que deixou de ser apenas, e só, uma questão económica que passou para um colossal déficit financeiro que de modo galopante se está a tornar num flagelo psicológico a que urge acudir.

 

Todavia, não deixa de ser coisa abstrusa ouvir dizer nos ecrãs da televisão que há actividades empresariais que continuam a admitir mão dobra externa, porque não há no mercado nacional mão dobra disponível.

 

Por outro lado, vemos o Ministro da tutela a dizer que quem receber o rendimento xis tem de trabalhar um mínimo de 15 horas semanais. Mas porquê 15? O certo é que, não deixa de ser uma realidade haverem tarefas que não são levadas a termo porque não há quem as execute.

 

Porém, dando uma olhadela pela casa dos outros, a Alemanha, nosso parceiro na União Europeia, de quem não gostamos muito, mas quer se goste ou não, têm uma economia organizada, todos trabalham, todos ganham dinheiro. Não será o nosso problema uma falta de organização? É, sem dúvida.

 

Enquanto isso, talvez valha a pena questionarmo-nos se o país, nomeadamente aqueles que foram eleitos para tanto, estão a tomar as decisões que se impõem para que possamos dar um rumo novo às nossas vidas, num país onde “valha a pena viver a vida”, ideia forte ouvida, neste fim-de-semana, no 1º Encontro de Psicologia do ISLA de Leiria, onde foram trazidos a debate “n” comunicações que são sempre um aporte para o desenvolvimento contextual do momento. Uma iniciativa a repetir.

 

E, se é verdade que se vivem tempos adversos – há por aí gente que devia corar de vergonha ao receber salários milionários -, não só pela falta de emprego e consequentemente de dinheiro, mas também não deixa de ser ainda maior preocupação ver que estão a ocorrer cortes cegos em sectores nucleares para o suporte da vida, que lhes (nos) afecta a saúde fisiológica, psicológica e comportamental que em desespero levam a actos destrutivos. Louvável tem sido a maturidade cívica demonstrada em chamadas públicas de alerta.

 

E, não se pense que a destruição emerge só e apenas de comportamentos onde e sobra desorientação e fome, e outras razões. Não é essa destruição, porquanto outra, e mais grave, emerge de entre os decisores políticos, o que nos leva a interrogarmo-nos: “mas o que é que o governo vai destruir hoje?” Sim, porque já ninguém pergunta o que vai acontecer de positivo no espectro económico-social.

 

Não faltará ao país um Ministério da Organização, seguindo Fernando Pessoa quando disse que é preciso organizar a Organização?

 

Leiria, 2012.10.01



publicado por Leonel Pontes às 14:11
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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