Sábado, 08 de Dezembro de 2012

Quem estuda a sociodemografia do nosso país diz que no ano de 2050 seremos o país mais envelhecido da União Europeia. Isto pode parecer coisa de somenos, mas não é! O facto tem graves consequências, que se agravaram com a Lei da interrupção voluntária da gravidez. O assunto merece urgente reanálise. Penso.

 

Uma dessas consequências, que para além dos efeitos sociais tem os financeiros e os fiscais, sendo que estes mexem no bolso dos cidadãos. E, tendo em conta o momento de crise grave que o país atravessa não podem ser negligenciadas. Por isso nos indignamos.

 

É a interrupção voluntária da gravidez uma questão de saúde? Não, não é. É um acto voluntário. E, não se venha invocar que é praticado por razões de desemprego, porquanto segundo o último relatório do Ministério da Saúde, das 20.137 interrupções levadas a cabo em 2011 só, 7,26% desses actos se reportam a desempregadas. Esta é a implicação social.

 

A questão financeira! Não ocorrendo estes actos de questões de saúde, sem pretender avaliar a bondade, ou a maldade do acto, porque terão de ser os dinheiros públicos a pagar tais custos?

 

Em consequência, à falta de dinheiro, os governos aumentam os impostos sem que previamente façam as necessárias análises causais, em ordem a suprir tais custos. Não deveriam ser queles que têm os prazeres e os desprazeres a pagar os seus actos. Porventura existirão boas razões políticas para explicar isto. Mas, então que no-las demonstrem!

 

Assim, só poderemos mesmo ser o povo mais envelhecido da Europa em 2050, como seremos (os que estiverem cá!) os mais pobres, quiçá os mais dependentes (sabe-se lá de quem?). Por mim, como os da minha geração, porque viemos ao mundo, tivemos uma educação militar que nos levava à máxima “ter de matar, para não morrer”. Isto, à força, fazia parte da nossa cultura.

 

Contudo, para não matar, poder-se-ia invocar o estatuto de “objector de consciência”, que não colhia. De modo que esses desertavam; não matavam, mas também não morriam. Escolhiam, podiam escolher!

 

Agora que somos livres, e não quero desertar, mesmo estando a ser confiscado permanentemente (tal é a carga de fiscal), digam-nos como havemos de exercer o direito de “objectores de conciência”. Eu, não quero contribuir com os meus impostos para matar. Ponto.

 

“Numa boa” como agora se fala, quem quiser seguir tal prática que o faça, mas com o seu dinheiro, porquanto os impostos arrecadados têm outro fim, deverão ser destinados ao bem comum, à saúde, educação, segurança, promoção do desenvolvimento social, para que sejamos um país de gente sadía sobre todos os pontos de vista.

 

Temos o direito de ser um povo, económica, financeira e fiscalmente feliz e por isso aproveito a oportunidade para desejar um Feliz Natal aos que me leem, bem como faço votos de muitas felicidades para os meninos e meninas pobres e menos pobres deste país. E, paz no sossego daqueles que não tiveram a sorte de ver o Sol lindo de Portugal.

 

E já agora, desde a aprovação da Lei da IVG e seguindo tão-só os dados estatísticos do Ministério da Saúde, 20 mil actos por ano, equivalem a 120 mil rejeitados de contribuir para o desenvolvimento do país. Pobretes mas alegretes. Somos assim governados!  

 

Leiria, 2012.12.08



publicado por Leonel Pontes às 17:47
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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