Sábado, 12 de Janeiro de 2013

 

Tinha esboçado para esta semana uma breve discussão sobre a reindustrialização; está na ordem do dia. Porém, como diz um amigo, “não sei se a vocês acontece a mesma coisa, quando quero escrever dalguma coisa, logo outra se intromete”; foi o que me aconteceu, comecei por querer escrever duma coisa e acabei por fazer (escrever) doutra. Portanto, a reindustrialização ficará para próximas núpcias.


Vamos lá. Já não sei quando, fui com uns amigos à Jamaica. Logo que pusemos pé em Kingston logo no-lo disseram tenham cuidado com os “city tours”, podem cair nas zonas da “maconha”. Mas já que estávamos lá queríamos ver tudo e por isso tivemos de conciliar prioridades, o meu desejo era saber tudo sobre a economia local, mas também e sobretudo sobre a obra do rei do reggae Bob Marley.


Mas, o que na verdade me extasiou foi o pensamento do malogrado músico ao imortalizar “se Deus criou as pessoas para amar, e as coisas para cuidar, por que amamos as coisas e usamos as pessoas?” pensamento que ainda hoje me acompanha.


E, pensando melhor questiono; porque havemos de andar a toque de caixa de uma gente que de todo não sabe distinguir coisa tão simples quanto o dinheiro e o seu valor! Porque se haverá de “amar as coisas e usar as pessoas”?


Com franqueza, por vezes sinto que neste país e nesta europa de baratas enquanto não se souber fazer clara destrinça entre “coisas e pessoas” jamais haverá reindustrialização. As condições de dignificação das pessoas estão indo no sentido da construção de guetos sociais propicios ao negócio da maconha.


E, é este o nosso fado, não tanto mau quanto isso, porquanto movimentos de sapiência levam-no ao pedestal da cultura; é o nosso reggae. Porém movimentos pró-desenvolvimento social em ordem à reindustrialização, esses não. E assim vai "reggeabofe" português. Primeiro as coisas, depois as pessoas.


Enquanto isso, os apelos caritativos, a expulsão de casa e dos lares para a rua, o recurso à sobrevivência através da sopa dos pobres são os actos que se multiplicam.


 Leiria, 2013.01.12



publicado por Leonel Pontes às 11:55
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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