Segunda-feira, 15 de Abril de 2013

Hoje (15.04.2013) dei conta de uma mulher desesperada, sem haveres para suprir as suas necessidades de sobrevivência, e por isso colocou algures um anúncio dizendo que daria o seu trabalho em troca de comida; não sei se encontrou quem aceitasse a permuta. Ouvindo a notícia - e aqui está de facto uma notícia -, lembrei-me dos legados da história nomeadamente dos tempos feudalismo; uns senhores que viviam com fartura de comida e bebida, enquanto os seus servos trabalhavam as terras vivendo “numa choça do tipo mais miserável”.

 

Esses, os que arroteavam as terras eram escravos, mas para ilidir o conceito chamavam-lhes “servos”, algo parecido com os “contribuintes” de hoje, obrigados estavam a sustentar os seus senhores. Ao tempo ainda não existia televisão, mas existiam outros meios de comunicação que noticiavam (fosse o que fosse), sendo que, num desses meios de comunicação o Cherleston Courier (CS) de 12 de Abril de 1828 (185 anos, historicamente foi ontem) apareceu nas suas páginas um anúncio de “uma família valiosa, consistindo de uma cozinheira de cerca de 35 anos, sua filha com cerca de 14 anos e seu filho, cerca de 8. Serão vendidos juntos ou apenas em parte, conforme interessar ao comprador”.

 

O anúncio que hoje vi na televisão parece dizer que a história se repete. E repete-se porquê? Por mim diria que tenho leitura para o estado em que se vive, não só em Portugal, mas numa grande parte da europa da união - para não tecer considerações sobre uma outra europa que por vontade própria sempre rejeitou a união e, estou a lembrar-me, por exemplo, da Noruega que nunca quis aderir); à europa das frustrações que nos trouxe até onde estamos.

 

O estado em que se vive, onde também vive aquela mulher que está disposta a dar tudo, quiçá a fazer tudo, por umas sopas, pode parecer um caso dificil solução, mas não é, basta quererem. Enquanto isso, ou por via disso, andamos com a cabeça às avessas pese embora a sapiência dos nossos muitos líderes políticos que graciosamente juntamos a essa plêiade de génios comentadores dos domingos à noite na televisão que aceitam com a maior das bonomias que um, um só, gestor português, em Portugal (onde existem milhares com as mesmas capacidades e competências) ganhe um salário, prémios e mais um par de botas a módica quantia 3 milhões e picos de euros por ano.

 

Afrontoso, seja lá quem for o dono da empresa que só gera os lucros que gera porque os adquirentes dos seus serviços são obrigados a adquiri-los a preços muito acima dos custos de produção. E aqui tenho de sair em defesa do Álvaro, o Álvaro Ministro, que não consegue desmontar a teia de interesses à volta daquela espoliadora empresa, e por isso fazem-lhe a vida num inferno, e pedem que largue a pasta (e ficar-nos-emos por aqui)

 

E porque é que assim acontece. Aconteceu e acontece pelas mesmas razões dos ralhetes (!) que a professora de Temas Avançados em Psicologia me dizia “deixe de pensar economia e pense psicologia” E bem percebi que, ou passava a pensar “psicologia” ou jamais conseguiria perceber para que serviria um curso de psicologia onde só pensava “economia”.

 

Daí que direi; a sociedade precisa de levar uma barrela de cérebro – que não é isso que estão a pensar! – E, por isso recomendo-vos o que aqui já disse noutras vezes, nomeadamente citando a obra denominada “pensar depressa e devagar” do israelita Daniel Kahneman (o único Psicólogo a ganhar o prémio nobel da economia); “um teórico da finança comportamental, a qual combina a economia com a ciência cognitiva para explicar o comportamento irracional da gestão do risco pelos seres humanos”

 

Em conclusão; cada vez mais me restam menos dúvidas que com estas pressas, vamos acabar por andar devagar, aliás coisa que para mim não são preocupações de hoje – e perdoem-me a ousadia, ou lá o que quiserem dizer, é o que penso há mais de um quarto de século e são esses pensamentos que fui escrevi no meu livro “intemporalidades” e aqui continuo.

 

Leiria, 2013.04.15



publicado por Leonel Pontes às 10:44
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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