Segunda-feira, 22 de Julho de 2013

Decorria o ano de 1989 e Rosabeth Kanter deu à estampa no Harvard Business Review um artigo sobre “managing without managers” (gestão sem gestores). Anos adiante, na mesma linha, outros pensadores da gestão reforçaram o conceito elevando-o à categoria de “empowerment” (sem tradução literal para português), significa “descentralização de poderes pelos vários níveis hierárquicos da empresa, e que se traduz em incentivos para a tomada de iniciativas em benefício da empresa como um todo”.

 

E, poder-se-á dizer que o conceito de gestão sem gestores, a descentralização de funções faz todo o sentido, mas em tempos prosperidade; quando existem efectivamente tarefas para exercer, nas quais os recursos humanos concorrem para o aumento de valor acrescentado económico-social.

 

Porém, aos tempos de hoje – sejam lá quais forem as causas - o que damos conta é de uma “desnecessidade” pessoas para o exercício de actividades, uma desnecessidade em crescendo. E, se assim é, outra coisa não restará que não seja repensar o paradigma da gestão, não só das empresas, mas também e sobretudo das instituições do país.

 

E voltamos ao “empowerment”. Este começou por ser um movimento de pensadores da gestão e façamos breve reflexão, não das actividades económicas desenvolvidas sob uma gestão sem gestores, mas como uma estratégia de mudança pessoal, de novas concepções de autonomia, de uma efetiva assumpção responsabilidades e de consciência.

 

A questão merece ser discutida, ou até mesmo de estudo de âmbito científico, e que, a final, haverá de subsumir-se na geração de valor acrescentado, não grupal, mas pessoal, ou dito de outro modo;

 

Não basta que a coberto de um qualquer papel passado sob o título de curso alguém profira fácil retórica assente em conceitos vazios numa retórica conducente a um PIB endemicamente negativo.

 

Com efeito, cada pessoa, como diria Carl Rogers, deve “tornar-se pessoa”, deve olhar e ver os demais com as suas incapacidades ou sobredotações como alguém que aspira a um ambiente social facilitador das missões que cada “pessoa” haverá de exercer. E, aqueles que estejam mais nas margens do processo social devem ser vistos com “humanismo”, isto é, devem oferecer-lhes condições de dignidade e por isso trazidos para o empowerment, numa estratégia em contínuo que fomente o gosto pelo trabalho, pela prática do bem-estar social; porventura pela consciência crítica.

 

Está à vista que o exercício dos actos económico mercê das práticas de gestão implementadas pela força, quer provindas de gestores privados, quer gestores públicos quando exercidas debaixo de orientações políticas prepotentes, todas essas deram em águas de bacalhau.

 

O que o país, e de um modo geral a Europa, necessitam é de um novo paradigma para a gestão, isto é; primeiro o investimento nas pessoas e depois, muito depois, nas estruturas. Um investimento que privilegie as estruturas mentais superiores tais sejam a capacidade de planear, o desenvolvimento da vontade de fazer, o uso duma linguagem congruente; e não de cursos de pacotilha como aqueles em que os mais diligentes até inscreviam a velhinha sogra, e mesmo que nada aprendesse ou produzisse pelo menos traria uns euros a título de subsídio.

 

Também não são esses investimentos de que falamos, do que estamos a abordar é exatamente do “empowerment”, por tradução extensiva o “empoderamento” o estabelecimento de condições que levem a uma cultura de acção e de incentivo às pessoas de um novo pensamento, um novo paradigma em que cada homem é gestor de si mesmo, sem a forçada ascensão a cargos onde nada é preciso saber, a não ser o de saber onde dar o nome e esperar que possa subir ao mais alto patamar das incompetências.

 

O expectável será a ascensão ao patamar das competências onde cada um ganhará e receberá na justa medida do que produz, e sabe, onde releve uma consciência de cidadania, e não uma consciência onde tudo é feito em ordem a construir uma sociedade de reivindicações. Mas porquê? Por que sim, por que era assim há cem anos, como é hoje. Renvindica-se, sempre é mais fácil.

 

Leiria, 2013.07.22

 



publicado por Leonel Pontes às 15:16
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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