Terça-feira, 08 de Outubro de 2013

O mercado municipal novo está velho. Não por saudade, mas porque era assim, com o seu encerramento outras actividades perderam vida como por exemplo os “comes e bebes”, do Salvador ou do Manel num corrupio de entra e saí, e saí umas febras para ali e saí mais um jarro para acolá e saí um chouricinho assado para mesa da janela, e todos saiam cedo de vale de lençóis para assegurar pequenos negócios que interagiam com as actividades agrícolas. E, no regresso a casa, se necessário fosse, ainda era estreado um par de botas.


Os tempos evoluíram e passou-se a pensar noutros modelos económicos “as grandes superfícies” já que seria nestas que estaria o futuro. Com efeito, as pequenas produções, como a agrícola, teve morte e para a necessária subsistência passou-se a adquirir fora o quanto se necessitava; não só em produtos agrícolas, como em tudo o mais.


E assim se foi alterando o paradigma da economia-social. As fontes geradoras de riqueza passaram a ter o seu fulcro fora de país; passámos tout court a ser consumidores (e até as macro actividades económicas, como a vinha, a oliveira e até as quotas de leite deixámo-las à mercê de outros agentes). Portanto, o que nós consumimos e não produzimos é fator gerador de pobreza; passámos a enviar o nosso dinheiro para fora.


O certo é que o país necessita de motivar os cidadãos para a revitalizar a pequena economia, como seja a agricultura e tudo quanto fica a montante e a jusante. Com efeito, o que nos propomos de modo breve abordar na crónica desta semana é a motivação para o exercício de actividades geradoras de riqueza, actividades que obviem o envio dinheiro para fora do país a troco de bens de consumo nem sempre de qualidade esperada.


E por isso começámos por dizer que o mercado novo está velho. Os anos não perdoam e quem entra naquele espaço logo dá conta que o mercado é pouco atrativo; as canalizações estão rotas, em consequência o chão está encharcado pelas águas perdidas, as paredes estão degradadas pelas infiltrações. Em suma o mercado necessita de uma intervenção profunda eventualmente acompanhada de uma imagem mais apelativa.


Este procedimento com toda a certeza despoletaria a motivação para o exercício de actividades agrícolas que encontrariam um espaço requalificado capaz de gerar uma dinâmica de negócios locais a contento dos pequenos empreendedores. Por mim, em primeiro lugar compro bens produzidos Portugal, por cada euro gasto em bens nacionais é menos um euro (não é bem assim porque há sempre um apequena componente externa), mas é um euro a menos que saí do país, é menos um euro a concorrer para o endividamento do país que já vai em 127% do PIB.


Leiria, 2013.10.08



publicado por Leonel Pontes às 10:01
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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