Terça-feira, 23 de Agosto de 2005

Em pousio, eu, claro que não! Gostaria ainda de fazer metade, apenas metade, do quanto desejaria fazer. E, sem quaisquer dúvidas, cada dia que passa – todos nós - mais temos por fazer. Aliás, o trabalho fortifica-nos e o prazer gasta-nos.

 

Grandes têm sido os prazeres e por estes gastos estamos. Com que delícia se aceita a promessa fácil. É um consolo ver que o país continua em queda de produção. É um regalo ver o endividamento a subir, que não só o das famílias. E, como se ninguém desse conta, vem agora o Banco de Portugal informar que o deficit das autarquias triplicou em relação ao período homólogo do ano passado (1º semestre). É um prazer saber que os dinheiros mal aplicados, ainda assim, hão-de trazer um enternecedor retorno financeiro; que não se perca a fé. É uma alegria ver os cofres do estado a mirrar. É uma risota constatar que o que mais se deseja é escapar do trabalho e daí alcandoram-se as reformas antes de tempo.

 

Longo será o pousio em que nós – cidadãos do meu país – caímos. A inacção política, em termos de organização, não explica tudo. Somos assim, somos dados às coisas do fado, e às crenças sebastiânicas.

 

E assim vemos o país virar terra queimada. A natureza foi inclemente e trouxe-nos muito calor - precisava-se de algum para gozar os prazeres da fímbria marítima -, mas não tanto. E, pronto, lá se foram as colheitas da nossa agricultura. O que granjeámos para enceleirar? Depois vieram os fogos. Mas não se deixou de cuidar da floresta, há muito? Quantos milhões de euros são pagos a pretexto de suprir um desemprego – de nada haver para fazer. Não há? - a quem nada faz.

 

Dir-se-à que; privilegiem-se prazeres (que não só os da carne), renegue-se o trabalho, promova-se o endividamento, busque-se o lazer. Mas, meu Deus, não podemos cair nessa e por isso, escutei “humanos” do despedido Variação e aí encontrei fundamentos para o meu pensamento; teias existem, que obstam o viver, e nos consomem e por isso caindo vamos na lama e a culpa é da vontade dos humanos. Com todo o respeito … nem sei se tais variações são em dó, se de dó.

 

Ninguém pode cair em pousio, não podemos virar a cara ao trabalho – se temos tudo por fazer! - esperando que alguém faça a nossa parte. Exija-se, disciplina, rigor, transparência e acima de tudo verdade.

 

Leiria, 23 Agosto 2005



publicado por Leonel Pontes às 16:18
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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