Terça-feira, 30 de Maio de 2006

Quem ensina, deve ter alguma coisa para ensinar. Quem escreve deve ter alguma coisa para dizer. Quem lê deve ter alguma coisa sobre o que reflectir. Quem reflecte, chegará a conclusões. Quem escreve sabe dos conteúdos que expende? E, quem ensina sabe como fazer?

 

Nunca, como hoje, tivemos tanta matéria nova e novas tecnologias para ensinar e aprender, como nunca tivemos tanto sobre o que escrever (mas, disso nunca faltou, lembremo-nos tão-só de Camilo). Como, também, nunca tivemos tanto para (e por) fazer. Como, nunca como agora tivemos tantos conteúdos para reflectir, trabalhar, racionalizar, aproveitar ou deitar fora, como seja;

 

A internacionalização que atormenta. A globalização que é um objectivo (ou um mito?). A competitividade que não traz ganhos. A produtividade que não atinge os objectivos. Os factores dinâmicos de produção atropelam os factores de produtividade. As filosofias do “just-in-time” que não evitam custos. A diversificação do produto que não atenua crises, nem aumenta a procura; e por aí além.

 

E quase apetece perguntar, e não podemos viver e trabalhar com menos técnicas, se o que de facto precisamos é de dinheiro? Mas sabido é que este só virá à posse (só se ganha!) se formos competitivos. E competitividade não é um continuado exercício próprio da dinâmica das organizações? Porém, a competitividade também é uma luta pela sobrevivência só possível de ganhar se existir colaboração e cooperação na busca de objectivos comuns, tais como sejam; o desenvolvimento e o crescimento económico.

 

Por outro lado, diga-se até, que para dar força ao conceito “competitividade” em qualquer discussão, sobretudo em intervenção política, entram sempre em compita argumentações sobre competitividade. Porém, conectada com esta, raramente se vêm discutidas solidariedades - que não a solidariedade dos desvalidos, dos indefesos, dos idosos, ou dos excluídos -.

 

Há outras solidariedades, como sejam as solidariedades dos que, por dever cívico, deveriam ser mais solidários para com aqueles que asseguram a execução e consequente gestão do orçamento público. Há por aí, temos visto, muita gente que consome dinheiro sem que contribua com trabalho para o desenvolvimento social.

 

O que fazer então? Tão-só ensinar a organizar o trabalho e incutir o gosto por este – não é que seja coisa que dê saúde, bem se sabe! – mas, parece ser também coisa a cair na obsolescência! Como poderemos ser melhores entre os melhores sem uma consciência de solidariedade.

 

Leiria, 30.05.2006



publicado por Leonel Pontes às 14:35
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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