Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

Já não me lembro de onde veio o convite, mas ao recebê-lo dada a importância do tema e do orador, desde logo (como sempre faço) comecei por fazer o trabalho de casa. Chateia-me estar presente em eventos, assapado aceitando como bom tudo é o que dito por uma qualquer eminência, muitas vezes, debitando tão-só conversa fiada, sapiência que escondem com ar bonacheirão E foi isso, ao convite para ouvir Bava numa Associação empresarial desta cidade de Leiria logo fui ao site da PT e providenciei impressão da última prestação de contas aprovadas e divulgadas.

Li e analisei o que quis, nomeadamente o que me pareceu abstruso por comparação com os factos explanados na dita prestação de contas e o que observamos publicamente.

Em consequência, perante o auditório questionei Bava: se não seria mais prudente e útil apoiar um Fundo de apoio às pequenas empresas como é o tecido empresarial da região de Leiria. Esperava que os muitos empresários ali presentes dessem eco da minha sugestão. Como ninguém nada disse logo conclui que afinal as pequenas empresas não estão assim tão carentes de financiamento a julgar pelos ecos públicos.

Terminada a sessão logo houve quem me dissesse, quiçá chamasse à atenção: a PT é (era) uma grande empresa onde tudo era eficiência e rigor, e tal e tal! Retorqui que não era essa a minha opinião, como infelizmente se veio a constatar mais adiante. Aliás, tantos milhões de euros aplicados sabia-se lá onde, era desde logo um mau acto de gestão. E porque?

Porque as empresas, quaisquer que sejam, pequenas ou grandes, geridas por eminências ou por gestores menos habilitados, todas elas devem de obedecer a padrões mínimos de transparência. Com efeito e salvo melhor opinião, julgando pelo que constatamos amiúde nem sempre quem gere está preparado para o exercício da função e/ou missão, posto que factualmente não se vêem assegurados os procedimentos necessários à sustentabilidade das organizações e nessa esteira julgo de inteira oportunidade abordar a absoluta necessidade de seguir princípios estabilidade social preconizados em “accountability”.
Accountability não tem literal tradução para a língua portuguesa mas tem uma história que no fundo se subsume numa “responsabilização” em matéria de prestação de contas que traduzam inequivocamente o que se anda a fazer, mas sobretudo que que se diga o que se fez com estricta observância ao cumprimento de elevados padrões de ética. E como as organizações, como vamos dando conta derrogam a ética é certo que caímos em atoleiros que corrompem toda a sociedade. Não é isto que também têm visto ultimamente?

 

Leiria, 2014.11.19



publicado por Leonel Pontes às 15:05
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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