Quarta-feira, 01 de Junho de 2016

 Leonel Pontes

Mestre em Gestão

 

                                                                                       Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? O que esperamos? O que nos espera?

                                                                  (Ernst Bloch, 1959, Prefácio de Princípio da Esperança)

 A União Europeia (UE) organização supranacional constituída em parceria económica e política com características únicas, é composta por 28 países-membros, tendo por objetivo, segundo o artigo B do Tratado da União Europeia (1992):

 

a promoção de um progresso económico e social equilibrado e sustentável, nomeadamente, mediante a criação de um espaço sem fronteiras, o reforço da coesão económica e social e o estabelecimento de uma União Económica e Monetária, que incluirá, a prazo, a adopção de uma moeda única, de acordo com as disposições do presente tratado.

 

Por outro lado, a introdução do euro consubstancia, segundo o Tratado da União Europeia (1992), uma última etapa de um longo trajecto trilhado por vários países membros da UE, tendo por fim último a plena integração na união económica e monetária (UEM). O objetivo de base no uso de uma moeda única tem por premissa trazer vantagens, como seja a redução dos custos dos agentes económicos que pedem dinheiro emprestado ou até de custos associados às conversões cambiais, bem como outros elementos que, em conjunto potenciariam o crescimento económico.

 

Porém, a “vox populi” manifesta-se e nega que tal premissa esteja na base do progresso económico e social, equilibrados. E, apoiam o seu agravo nos elevados índices de desemprego existentes na zona Euro de países como, por exemplo, a França, a Espanha, Portugal ou a Grécia. Em consequência, a curto prazo a UE terá promover uma mudança de paradigma de modo a controverter o axioma: a União Europa está em crise?

 

Em ordem a sustar a crise, apontam caminhos para uma estratégia ancorada em desafios e objetivos exequíveis num limite temporal de uma década. E nessa linha de ação, num mundo em mutação, pretende-se que a UE se torne uma economia “inteligente, sustentável e inclusiva” (Pinto, 2010). Estes três pilares reforçam-se mutuamente de modo a ajudar a UE e os Estados-Membros a atingir níveis mais elevados de emprego, de produtividade e de coesão social.

 

Portanto, em busca de produtividade e competitividade por parte das organizações (neste caso a UE) com vista à sua sustentabilidade (derrogando a sustentabilidade das organizações/empresas) tentam promover mudanças dentro das mesmas que, aos olhos dos trabalhadores, muitas vezes não são vistas de uma forma positiva, levando a sentimentos e comportamentos ajustados à forma como percepcionam as medidas adoptadas pela organização. Tais comportamentos estão a levar à emergência de um novo fenómeno, o “cinismo organizacional” que ocorre devido à incongruência entre os valores pessoais e os organizacionais (Abraham, 2000). Com efeito, a necessidade de um aumento da produtividade e da competitividade impõem mudanças no sentido de atingir números, muitas vezes, sem terem em linha de conta os colaboradores, focando-se em objetivos e na obtenção de resultados imediatos e de curto prazo (Kanter, 2009 e Kochan, 2012, cit. in Assis, & Nascimento, 2014).

 

Nesta conformidade também não restará a Portugal outro caminho, como aos demais parceiros de UE, que não seja envidarem esforços conjuntos no sentido duma mudança em matéria de emprego por via de uma estratégia de valorização do capital humano. Quiçá a par do capital monetário: o euro. Mas sem descurar o capital humano; realce-se. Por outro lado, parece também evidente que a superorganização UE assenta a sua força em pés de barro, carecendo de mudança organizativa, que se conclui do ponto de vista expresso na entrevista dada pelo filósofo holandês Rob Riemen (2014, p. 9)

 

Com efeito, o instrumento único de suporte ao edifício União Europeia – que se deseja sólido, não encontra suporte nas pedras e argamassas que ao longo dos anos foram assentes umas sobre outras – antes está alicerçado como se sabe na adoção de uma moeda única: o euro.

 

Porém, nem todos os países constituintes da UE o adoptam, o que dificulta o exercício de um modelo político, económico e financeiro comum. Num espaço de 513 milhões de cidadãos sujeitos a regras comuns, em vez da minimização de custos, antes trazem agravamentos, nomeadamente financeiros. Por outro lado, tais regras potenciam obstáculos à valorização dos recursos humanos, ou se se quiser dos ativos inteligentes.

 

Portugal é um pequeno país (em número de habitantes, situa-se no primeiro quartil da população da União) e, as draconianas regras em vez de potenciar um desenvolvimento harmonioso, antes são fator de entropias. Daí que seriam de esperar mudanças estratégicas em ordem à valorização dos seus ativos inteligentes, como fonte competitividade.

 

 Leiria, 2016. 06. 01



publicado por Leonel Pontes às 11:30
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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