Segunda-feira, 07 de Julho de 2014

 

O nosso país nunca teve política de emprego. No tempo da ditadura não tinha, como nunca teve em democracia. Todavia no tempo da ditadura o estado sempre arranjava trabalho, como cantoneiro ou nas circunscrições florestais, limpeza de matas e outras tarefas. Mas, não obstante isso a emigração “clandestina” era sempre uma saída possível. Portanto a “crise” do emprego é histórica. Em democracia, os governos – e diga-se que também os sindicatos – sempre mostraram mais propensão para políticas de destruição do que de sustentabilidade do emprego.

 

O tema é interessante e mereço estudo, mas não agora. Na crónica de hoje proponho-me abordar a aberrante questão do desemprego que tem estado na ordem do dia porque a taxa baixou. Mas onde foram criados os novos empregos? Mas se baixou como podem acontecer situações como esta? Uma pequena empresa de serviços da área dos tratamentos de beleza (em crescimento) de modo a assegurar a satisfação dos clientes pretendia admitir uma “esteticista”. Com efeito fez constar tal necessidade; mais um posto de trabalho de modo a contribuir para a estatística. Como se não aparecessem candidatas à vaga, a gerência promoveu um anúncio formal. E ficou à espera de receber candidaturas, muitas, a aferir pelo volume do desemprego que graça no país e na região do pais em apreço. E o que aconteceu? Aconteceu o que de mais “bizarro” poderia acontecer. Duas respostas, apenas duas. Duas Senhoras com saber feito na área, uma das premissas para preencher o lugar. Duas desempregadas, apenas duas estariam interessadas no emprego. Duas desempregadas, e, ao que nos fora dito ainda “enxutas”, pese embora uma ter já 50 anos, e a outra 77 anos. Se o que está acontecer no país não fosse trágico este caso provocaria riso até a um Santo pregado em casa, onde fosse, numa qualquer parede de católico crente.

 

Digam lá, o desemprego está a diminuir? E não diminuiria mais se a velhota ainda “enxuta” tivesse conseguido um empregosinho. Por aqui me fico, com muita pena de que o meu país seja governado por uns ceguetas. E, para que nunca sofram o que os velhos sofrem, de todo o coração, desejo-lhes que nunca cheguem a velhos.

 

Leiria, 2014.07.07



publicado por Leonel Pontes às 10:40
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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