Sexta-feira, 01 de Janeiro de 2016

Durante anos, neste espaço imprensa e noutros, expressei pontos de vista sobre factos/acontecimentos económicos, sociais, político-fiscais e outros, alavancados na minha formação de Técnico Oficial de Contas e/ou de Contabilista Certificado e mesmo de Licenciado em Psicologia. Porém, doravante passarei a assinar os meus textos capeados numa outra formação académica: Mestre em Gestão de Human Resources.

Hoje, primeiro dia de mais um ano civil e económico, e por muito tempo, as conversas hão-de girar em torno de: como será ano de 2016? Mas logo se conclui, porventura com escassa discussão, que vai ser mais um ano de crise. E será? Ou só o será se nós quisermos? Crise não é um fatalismo! Só há crise para quem renuncia ao seu compromisso social.

E enquanto isso, valerá a pena começar o ano por aconselhar a darem uma vista de olhos pela obra “Capitalismo, Socialismo e Democracia (1942) ” do economista austríaco Joseph Schumpeter obra de mesinha de cabeceira, digo eu, que ficou célebre pela sua abordagem em matéria de “destruição criadora” tendo por base o excesso de inovações económicas.

Com efeito, nos tempos que correm o que damos conta é de que todos entendem que podem reivindicar mais e mais. Ora não é crível que o nosso modelo de gestão económico-social tenha uma estrutura que confira sustentabilidade de modo a garantir, sem demais contrapartidas, tudo quanto se possa ambicionar. Portanto, se é certo que se pode reivindicar o económico-social, dever-se-ia também começar por reivindidar o económico-cultural.

Se todos quisermos saber mais e melhor poderemos, efectivamente, alcançar demais padrões de conhecimento político, económico-empresarial, social e sobretudo ético em ordem a destruir o que se apresentar irrentável dando por essa via lugar ao que de novo seja concebido, quiçá entrando assim no âmago de uma força criadora que suporte o que paulatinamente vamos destruindo, que sem darmos por isso – ou talvez não - estamos a imprimir à sociedade. Portanto, sociologicamente todos somos elementos e componentes de uma vasta máquina que se bem gerida traz bem-estar em vez de défices de todo a ordem.

Numa dicotomia Keynesianos e Marxistas, Schumpeter enfatizava na sua cátedra que não interessava o que se pensava. O importante era que se pensasse. E na sua esteira direi que - ao nosso tempo - não importa o que reivindica a social-democracia ou o socialismo. O importante é que as reivindicações tragam benefícios sociais em vez de assimetrias sociais. Isto é, benefícios para uns e mais carências, para outros.

Com efeito, o novo ano tem de ser sobretudo um ano de acção comportamental, de profícuo trabalho, de reorganização e de formação sociocultural. E, pese embora termos um governo assente em pés de barro 2016 só será um ano de crise se todos nós renunciarmos ao nosso compromisso social.

Acresce dizer que também os governantes, mormente, a rapaziada da Assembleia da República deverá fazer a seu upgrade socioeducativo. De outro modo não haverá “destruição criadora”, antes, e, irremediavelmente somos levados por vias que só nos autodestroem.

Leiria, 2016. 01.01



publicado por Leonel Pontes às 10:20
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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