Sexta-feira, 02 de Outubro de 2015

Neste momento último dia da campanha eleitoral, as sondagens apontam previsões do que serão os resultados finais. Contudo, para além desses, cada um de nós poderá ver (e ter) resultados segundo as suas conveniências ou gostos.

Com efeito, no momento em que este texto vier a público a euforia do “prazer” à qual se seguirão momentos de incredulidade (o prazer. Esse delírio já passou). À espera do quanto se falou na campanha venha a trazer algo de concreto, tal seja emprego (que todos reclamaram, mas que afinal ninguém quer) melhor vida geronto-social para os idosos, Enfim, todos esperamos e desejamos melhor bem-estar.

E, embebecidos nesta senda esperamos por um amanhã melhor. Muito melhor. Reflectindo (não só e apenas hoje), numa reflexão longitudinal de quatro décadas de democracia o meu resultado diz-me que vamos continuar a viver na sociedade do doping, uma sociedade que permite e oferece uma espécie de rendimento sem trabalho. E, enquanto isso vamos empobrecendo. Afinal vamos continuar a gerar dívida.

Francamente (a julgar pelo que foi proposto, dito, discutido e muito rebatido) não se vê, nem é crível, que o novo ciclo trazido pelas eleições de 4 de Outubro traga melhor vida social e económica. Primeiro porque as premissas onde assenta uma nova política, nada de melhor trarão. Segundo, tal não é possível porquanto a sociedade portuguesa, a julgar pela inocuidade da verve expendida, nomeadamente por politicozinhos à procura de fonte de rendimento e/ou protagonismo, só veêm elevar o nível de toda uma sociedade atrofiada pelo cansaço. Admita-se pois que vivemos numa sociedade de cansaço. Todos andamos (estamos cansados).

E, para tanto, vejamos o que dizem outros pensadores, filósofos, do nosso tempo, que estudam dados económico e sociais disponíveis equacionando-os com vista à obtenção de um melhor e mais frutífero futuro. E, o que no-lo é dito é que de facto vivemos numa sociedade de cansaço, como afirma o filósofo sul-coreano (radicado na Europa), Byung-Chul Han.

Porém este “ cansaço tem um grande coração” e, por isso, mais direi que não há coração resista a tantos apertos, daí que ao coração da sociedade pode dar-lhe uma síncope e porventura entraremos em asfixia social.

Portanto, por cá, no nosso pequeno espaço, teremos de levar a termo reformas à medida da nossa bolsa, jamais poderemos ter mais olhos que barriga. Com toda a bondade do mundo jamais poderemos continuar a pagar subvenções a quem não trabalha. E repetimo-nos, se assim for vamos continuar a gerar dívida.

Subsidiar necessitados é um dever de solidariedade mas, este deve, desde logo, começar por aquele que recebe, esse tem que produzir algo para a sociedade, até mesmo para fazer jus a uma corrente política que lembra e relembra a todo o passo que teremos de ganhar a batalha da produção e esta só acontecerá por via do trabalho. Tudo o mais que possamos dar mais não é do que um prazeroso sedativo dopante.  

Leiria, 2015.09.30



publicado por Leonel Pontes às 11:47
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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