Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Não necessitaria de rebuscar termos castrenses, ou palavras de ordem do passado, e menos ainda equações para demonstrar comportamentos sociais para levar a termo a crónica desta semana, posto que, diariamente, jorram a nossos olhos factos tantos que nos dispensaríamos de fazer apelo à memória.

Contudo, não será despiciendo trazer a terreiro resultados ocorridos durante as pretéritas quatro décadas ditas de “pesada herança”, tão pesada que cimentou novos modelos de organização social de teor psicossociológicas que marcaram indelevelmente a história do pós liberdade, factos para os quais está a ser difícil encontrar o antídoto a contento.

Todos os dias, a todo o momento nos entra porta dentro o “negativismo”, gente descontente, manifestações de grupos - que, enquanto isso não produzem - porventura terão as suas razões. Outrossim, jorram notícias sobre inopinados comportamentos que causam desalento social.

Enquanto isso, hoje todos damos conta que estamos sem herança, hoje todos sabemos que vamos deixar uma pesada dívida aos nossos herdeiros, hoje todos sabemos que andámos a gastar o que não produzimos. Pior do que isso, hoje todos sentimos uma tremenda incapacidade para encontrar um caminho que nos leve à prosperidade, e ao bem-estar social.

O país, não necessita de vazias opiniões políticas, antes necessita de um modelo de conduta nacional. Mas o que é um modelo de conduta? Um modelo é um simulacro funcional da realidade que construímos que se adequa à realidade que queremos analisar e descrever. Um modelo que concomitantemente se adeqúe a um comportamento económico-social, em que, o comportamento é função da acção conjugada de duas causas psicológicas correlacionadas, o “desejo” e a “crença” (C= f (D,Cr).

Todos desejamos que o status actual se inverta, que em vez do negativismo, prospere o positivismo, ainda que seja nas palavras, palavras que tragam esperança, convicção, e crença de que podemos viver num mundo melhor, um espaço onde todos sintamos orgulho em ser portugueses; gente de bem. Gente que abraça o trabalho, tarefas e funções como uma missão.

No passado sábado acompanhámos o roteiro dos escritores na cidade de Leiria, este alusivo à figura e personalidade de Eça de Queiroz. E, enquanto percorria os caminhos trilhados por Eça, rememorava os seus escritos e trazia à memória interpretação do ex-administrador de concelho, quando dizia que Portugal era um bom país, porém andava mal frequentado. É isso que podemos constatar na actual sociedade, uma sociedade sem rei nem roque, uma sociedade mal frequentada onde vale tudo.

Com efeito, cada um de nós tem a uma opinião sobre o mundo que nos rodeia. A propósito, neste dilema, diria que urge que façamos inflecção, obviando razões. Sendo que se queremos um Portugal melhor temos de dar um contributo em ordem a que se proceda e cessação de guerrilhas, promovendo quanto antes um “ensarilhar de armas”. Para tanto é preciso que os políticos falem verdade, os grupos têm de reivindicar com sensata observância às realidades. Quem gere e governa têm de ser muito mais proficientes., deixando-se de experimentalismos sem modelo.

 

Leiria, 2014.10.15



publicado por Leonel Pontes às 10:51
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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