Sexta-feira, 11 de Abril de 2014

 

O conteúdo que me preponho abordar na crónica desta semana é daqueles que não é bom para dele falar, escrevendo. Para que o possamos tratar convenientemente devê-lo-íamos abordar pela via verbal, pela linguagem. Mas isso ainda não é possível fazê-lo nos jornais.

 

Mas o que quereríamos abordar o que tem assim de tão especial que não dê para abordar convenientemente; escrevendo? Fazendo uma ginástica mental começaremos por dizer que:

 

A gestão das organizações quaisquer que sejam sempre foram um molho-de-brócolos, coisa difícil de ugar, e por isso, o resultado esperado fica sempre aquém do desejado. Existem sempre entropias: as políticas enviesadas dos mercados, os elevados custos das fontes energéticas, os equipamentos a sofrer de obsolescência, o adestramento dos recursos humanos às tarefas, a falta de princípios éticos entre partes interessadas. Enfim! Ou, dito à portuguesa, é muito difícil ser-se prior (não nesta freguesia) mas neste ambiente económico-social.  

 

Decorria o ano de 1996 e os académicos, Womack e Jones, americanos, deram à luz a primeira versão da obra “lean thinking”. Possivelmente nós, nós portugueses, nós gestores, nós académicos, nós todos, não prestámos a necessária atenção à importância da coisa. Porém, o tempo foi passando e hoje todo o país – quiçá todo o mundo - está a querer fazer “lean thinking”. Ou seja, todas as organizações, se quiseram subsistir na selva em que se movem, forçosamente têm de “pensar magro”.

 

Quem gere (e gerir é, gerir coisas), e quem lidera (e liderar é, liderar pessoas) tem de encontrar o necessário equilíbrio entre as coisas que querem fazer, e as pessoas que as têm de fazer. Portanto, pensar magro é gastar o estritamente necessário. Tudo deve ser racionalizado.

Concomitantemente, cada vez mais, se fala em desperdícios e despesismo; porventura contextos vazios, porquanto não vê alguém que aponte um modelo sustentável de governance das organizações – nesta a organização chamada país -, em ordem a gastar apenas o que deve ser gasto.

 

Em suma. O país precisa de fazer o cura de “magreza”, mas esta só pode acontecer se tivermos todos o pensamento direccionado para o “lean thinking”, ou seja a linguagem que ouvimos a todo o momento, tem de ser uma linguagem rica (ou enriquecida) para que daí advenha um pensamento evoluído. Ser assim não for, o cortar só por cortar não gera valor acrescentado e o que não vai em alhos acaba por ir em bugalhos. Portanto, pensar não chega, temos de pensar magro, reiteradamente.

 

Leiria, 2014.04.11



publicado por Leonel Pontes às 16:17
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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