Quarta-feira, 10 de Junho de 2015

As últimas semanas têm sido férteis em controvérsias, sobre o que, até apetecia dizer; vejam se se entendem. Uns dizem que o desemprego baixou. Outros dizem que quando forem governo, então sim, é que vai mesmo baixar. Ambos, jamais disseram que instrumentos jurídico-políticos implementaram ou implementarão em ordem à baixa do desemprego. Com efeito, quem gere, quem governa, tê-lo-á de fazer sempre sob métricas, só assim se poderá levar a termo verdadeiros indicadores. Palavras são tão-só isso, confrontos de verve e por aí nos quedaremos.

 Há seis séculos e meio já o país vivia uma crise de desemprego. Supri-la era uma necessidade absoluta. Atento o facto o Rei D. Fernando tomou providências, por via da Lei das Sesmarias que já conhecemos do tempo da primária. Não conhecemos? E assim, em Santarém, Maio de 1375 tal lei ganhou forma. E, o que preconizava? Preconizava colmatar com urgência um conjunto de carências; desde logo a escassez de cereais (à época a facilidade de importações não era tão fácil como é hoje), bem como necessário era preparar (adestrar) mão d’obra para suprir tais carências e outras necessidades mais, com vista a elevar os níveis de produtividade.

 Concomitantemente, a Lei determinava um conjunto de obrigações tais fossem o dever dos donos das propriedades a cultivá-las. Nessa linha de acção, previa-se (uma novidade à época) o princípio da expropriação caso as terras fossem deixadas ao abandono a criar mato. E, seja-me permitida a franqueza, mas (aos tempos de hoje) mais de meio país está ao abandono começando pelas propriedades do estado E são tais propriedades zeladas? Não. Prefere-se importar com o argumento que fica mais barato. E pagar a quem nada faz não é também um elevado custo para o orçamento? E porque não baixamos o desemprego? Não baixamos porque não queremos com o pretexto de que o trabalho não é um desígnio democrático. Bem! Mas em concreto o pensam os partidos acerca disto? A meu ver não pensam. Preferem continuar a alimentar o “lassez faire, lassez passer” a troco de duns largos milhares de votos.

 Tomando contacto com a literatura do que foi dito escrito ao tempo e do que foi investigado daí aos nossos dias, o que se sabia era uma coisa tão simples como o quanto recordo saudosamente do meu avô, quando naquele seu rizo grosso dizia com piada de que “na casa deste home quem não trabalha não come” axioma que porventura já viria de trás.

 Absortos em tanta informação, tanta legislação, tanta verve política (quiçá tanta desinformação) há assuntos que nos passam ao lado, sem darmos importância à importância que tem para as nossas vidas sobre o que fazer em ordem a suprir tanta crise. A tal propósito um dia destes fui convidado a participar numa conferência “A contabilidade e a fiscalidade na actividade silvícola” que decorreu no âmbito da Feira Nacional de Agricultura em Santarém. Aí foi analisado um instrumento jurídico de longo alcance denominado “Programa de Desenvolvimento Rural do Continente”, vulgo Programa 2020 e que visa suprir em vasto conjunto de necessidades, entre as quais a real possibilidade criação de emprego, por via indirecta já se vê.

 E já agora sem meter foice em seara alheia mas chamando à atenção à nossa Autarquia, sobre a qual parece que andamos todos adormecidos. Ou seja, há muito que se faz sentir a necessidade de um espaço verde na cidade. O espaço em estado nú existe. A meu ver seria de inteira oportunidade e justiça aproveitar o PDR 2020 para levar a efeito uma zona verde (se se quiser chame-se-lhe jardim) na zona norte do Rio Lis. É por ser espaço da tutela da freguesia de Marrazes que nada se faz. Ou é a Junta que tem de dar corda aos sapatos?

Leiria, 2015.06.10



publicado por Leonel Pontes às 21:13
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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