Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015

Ao longo da história da humanidade têm surgido diversas transformações, provocadas por factores de desenvolvimento tecnológico e/ou por factos históricos que influenciaram processos de rápidas mudanças políticas e económicas que contribuíram para que, a economia mundial progredisse no sentido dos mercados globais – a globalização.

Com efeito, o mundo tal como o conhecemos hoje, desenvolveu-se por grandes ciclos, ditos também por vagas: sendo que a primeira quedou-se durante 10.000 mil anos: actividade agrícola. A segunda deu-se pela ascensão (3.000 anos) da civilização industrial, à que se seguiu uma terceira vaga a da tecnologia (a do faz e desfaz). E, neste périplo, Carlos Fuentes – in Terra Nostra - questiona se viemos cá (ao mundo) para rir ou para chorar? E, se estamos a morrer ou a nascer?

Ante o estado de degradação e/ou desagregação a que se chegou, estado a que se convencionou chamar de “crise económica” só poderemos dizer, - dizemos nós! - provado está à evidência, que a crise a que assistimos resulta da tomada de decisões “não” racionais.

Numa linguagem desportivo-futebolística, sem demérito para os seus praticantes, tomaram-se decisões, muitas, com os pés, em vez de haverem de ser tomadas com a cabeça. Mas, mesmo essas – as tomadas com os pés – foram tomadas por via de mecanismos mentais, posto que tudo o que o homem faz, tem subjacente uma decisão ordenada a partir das muitas estruturas cerebrais.

Portanto, antes de haver decisão começamos por fazer um julgamento, isto é, uma avaliação, estimação e dedução de possibilidades sobre um conjunto de metas tendo por base inferências lógicas sobre os objectivos pretendidos atingir. Assim sendo, se se quiser descodificar o estado a que chegámos, ou se se quiser entender o mercado (ou a macroeconomia) nada poderia ter sido decidido, sem a necessária observância dos mecanismos mentais que decidem os nossos comportamentos.

Daí que, no início dos anos 30, os economistas começaram a estudar a estrutura matemática do comportamento humano e das escolhas a partir de um processo de decisão do qual resultaria o axioma do homoeconomicus. Nesta senda a sociedade deu conta que o mundo girava sobre decisões irracionais. Com efeito, outros profissionais, tais sejam: sociólogos e psicólogos acharam por bem estudar o papel do humano nesses processos de decisão, e, só por isso se percebe como no limiar dos anos 80 fosse atribuído o Nobel da economia ao psicólogo Daniel Kahnemann.

Em suma decorrido todo este tempo e fazendo uma releitura os processos que conduziram à evolução da sociedade possamos concluir por observação factual de que o paradigma da gestão económica terá de passar forçosamente por uma redefinição de processos, meios e tomada de decisões em ordem ao exercício de uma economia comportamental tendo subjacente diferente modelo de gestão, quiçá assente num binómio de “neuroeconomia”

Leiria, 2015.01.23



publicado por Leonel Pontes às 12:33
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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