Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Quando este texto vier a público, o país já terá um governo novo; sobre o qual todos estaremos de olhos postos. Olhar a governação da coisa pública é um dever cívico. Por isso, da nossa parte – como sempre ousámos – civicamente, retomaremos o nosso telescópio político do qual estivemos em pousio.

Com efeito, o governo novo saiu de recente acto eleitoral como é sabido. Como sabido é que durante as campanhas muito é dito, muito é prometido, muito é contraditado, mas muito mais é esperado.

Mas por certo temos que o actual status só será vencido se todos dermos contributos. Leais. Os cidadãos têm de fazer a sua parte, os políticos têm de fazer jus à missão que lhes foi confiada, a Assembleia da República não pode assobiar pró lado. E, o governo tem de efectivamente governar.

Se assim não acontecer, o melhor é entregarmos mesmo a alma ao criador. E para que se perceba bem a rácia da coisa, socorremo-nos de números - que são públicos – em ordem a, tanto quanto possível, demonstrar onde estamos e para onde vamos se não for atalhado caminho.

Durante o primeiro semestre do ano “o défice da balança comercial acentuou-se a ascendeu a 6.000 milhões de euros” Isto porque de entre sectores de vocação exportadora todos recuaram nas exportações, tais sejam; material electrónico menos 35%, material de transporte menos 28,6%, sector têxtil menos 18%, metais comuns e suas obras menos 34,9%, pasta de madeira, papel, cartão e suas obras menos 13,6%.

Da nossa fonte colhemos que o sector de calçado merece nota à parte porquanto foi dos poucos, se não o único, que contribuiu positivamente para a balança comercial, ou seja enviou mais para fora, do que adquiriu.

E trouxemos estes números à discussão porquanto todos dizem que a nossa salvação está na exportação. E de facto assim é. Mas, francamente, pelo que conhecemos da actividade económica, porque todos os dias lidamos com esta matéria, o governo tem de meter as mãos na massa e já, de outro modo esta pode azedar e depois não haverá pão pra ninguém.

Durante a dita campanha - propícia para deixar alertas - assim fizemos junto de certo governante, que tutela área económica, para situações burocratérrimas e por isso impeditivas para que o país tenha ele mesmo vocação exportadora. Alertámos para incompreensível burocracia que afecta decisivamente determinada empresa, sediada em Leiria, única no país no seu sector, de vocação exportadora, mas de concreto continuamos a ter o alheamento e o esquecimento do governo para a tão apregoada quanto necessária competitividade. Não estão a fazer a sua parte.

As eleições ganham-se com verdade, o país governa-se com eficácia, os empresários gerem com eficiência. Se assim for o país não tem competitividade, se assim não for o défice da balança comercial sobe até estoirar. Um dos males do país está, efectivamente, na máquina burocrática do estado. Dissemo-lo publicamente, os empresários acharam bem. Mas o governante não!

Assim não vamos lá. Faltam-nos valores!

Leiria, 2009-10-21



publicado por Leonel Pontes às 16:29
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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