Quinta-feira, 07 de Abril de 2011

 

Humildemente peço perdão. Sou assim, já não posso ser outra coisa, pese embora em toda a minha vida ter procurando observar princípios éticos. Mas, chegados ao estádio onde nos encontramos não posso deixar de reler os textos que dei dados à estampa, e/ou no meu blogue.

 

Sempre disse que caminhávamos para o abismo, sempre disse que pelo caminho trilhado não chegávamos a lado nenhum, sempre disse que estávamos a constituir endividamento geracional, sempre disse que estávamos falidos (eu, vocês, os ricos, os bancos, o país; todos.)

Porem jamais poderia ter a pretensão de ser ouvido, neste caso lido. Menos ainda poderia esperar que alguém neste país de eruditos estivesse à espera dum plebeu para pedir-lhe conselhos de salvação nacional.

Mas se, se quiser vejam-me assim, pela irreverência, nunca deixei de opinar e trabalhar no sentido de encontrar novos rumos, por vezes senti-me inconveniente ante pardas sapiências.

O certo é, pese embora o meu esforço - pode ser presunção minha -, nunca vi que tais sapiências fizessem alguma coisa de válido, aliás uma negativa comportamental, posto que para que um válido faz alguma coisa de útil terá de ter sempre por perto outro válido.

Saindo da nossa pequena escala de cidade de província, que ainda assim é das mais desenvolvidas do universo português, o que vejo é uma tremenda lástima. Mas será culpa minha, ou por não saber fazer correctas leituras, ou por querer de mais do que o país pode dar.

O certo é que o país deu o que não tinha. E ao que chegámos? Inevitavelmente à falência, à bancarrota.

Temos assistido a uma autentica cowboiada do vem o FMI, não vem, pedimos dinheiro à EU, não pedimos, e tudo o mais que escuso de por na carta.

O que se sabe é que enquanto isto tudo se degradou. Sem dar conta a Administração Portuguesa, cada vez mais, colocava-se sobre no fio da navalha.

E o que vemos? A banca estrebucha - ao que direi - no seu estertor da morte. Não só a banca como outros agentes que já procuram apoio financeiro externamente, encostaram-se demais ao Estado colocando os ovos numa mesma galinha.

E, o que era expectável aconteceu. A galinha em vez de aquece-los, andou de saltito em saltito, espanejando-se por aqui e por ali, arrastando a asa a uns e a outros, e as ninhadas por sucessivas posturas saíram todos goles. Produção zero.

Bem, agora temos as contas para pagar. E o que está acontecer?

Os bancos não recebem do estado o que emprestaram. O serviço da dívida vai em queda acelerada para a alcrecava. O país faliu, a banca faliu, as famílias faliram, o cidadão está descrente e ou muito me engano ou durante a campanha eleitoral prestes a iniciar, vai ser animada pelos estouros – que nem sapos – dessa banca que não soube colocar os seus capitais, os capitais dos cidadãos, onde o deveria de ter feito; na produção.

Humildemente, pois, peço-vos perdão, mas tinha que dizer isto. E, infelizmente é que volto a ter razão.

Falta-me dizer ainda que a UE tal como está organizada em vez de ser uma tábua de salvação para os países, será a tábua da morte. Se as juntarem hão-de fazer um bonito enterro!

Paz à sua alma.

 

Leiria, 2011.04.07



publicado por Leonel Pontes às 19:36
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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