Domingo, 13 de Novembro de 2005

Não assegurámos voto nas propostas eleitorais que acabaram por dar a maioria que governa o país, eram irrealistas, nomeadamente em matéria de impostos e de despesa pública; como aliás se constatou, ainda o Ministro das Finanças tão-só estava apontado, e, logo se geraram desencontradas. Outrossim, o discurso eleitoral foi num sentido e a governação noutro.

 Com efeito, à medida que o tempo passado, o governo tem vindo a implementar políticas, com esforço, percebesse, de modo a reorganizar, entre o mais, o instituto da saúde e da reforma social, a contra-gosto de muitos, porventura daqueles que lhes garantiram o poder, e por isso temos visto greves, por vezes em parceria, como nunca fora dado ver.

 É inegável a irracionalidade de benefícios de uns, em claro detrimento de outros, que vivem em autêntica pobreza; se desta nunca foram capazes de sair ou se n’ela acabaram por cair é questão que haverá de levar a grande discussão, bem mais depressa do que se possa julgar.

Em tempo muito recente, aqui deixámos opinião em artigo sobre a crescente pobreza que grassa pelo país, bem como pela Europa e não só! Os pobres despontam como cogumelos, então o dissemos. O que não esperávamos é que o mau-estar dessa pobreza fosse tão candente que trouxesse associado um rastilho de efeitos ainda imprevisíveis.

 As televisões metem casa adentro, por esse mundo fora, o que ali ao lado acontece. Em França. E, os efeitos vão-se disseminando. Agora, cremos nós, de pouco adiantará expulsa-los, porquanto partem como indesejados, para amanhã voltarem - treinados sabe-se lá onde - como terroristas; a sede de vingança é difícil de saciar.

 Poderemos parecer excessivos, mas o governo tem de corrigir, rapidamente, evidentes assimetrias nomeadamente em matéria do social, políticas que não podem ser aplicadas como se de um sonífero se tratasse, têm que produzir efeitos práticos e visíveis; emprego, salário e habitação.

Entretanto, consta que o governo se propõe vender meio milhão de casas de quem impostos em atraso têm, não estará a aumentar a crise social, não terá outros meios de cobrança? Se quiser tem!

 Por tudo isto, que afinal é uma ponta do icebergue, o Primeiro-Ministro precisa de ser acompanhado por quem bem saiba interpretar a real situação do país, de alguém que não veja só um mundo de rosa. O que se precisa é de uma economia reorganizada e competitiva como convém, onde todos possam trabalhar - quem aversão tiver ao trabalho, para esses medidas educacionais - para criar a riqueza de que tão carecidos estamos. Por isso para a Presidência de República um professor de economia, sim, sem dúvida!

 Leiria, 2005 Novembro 13



publicado por Leonel Pontes às 15:58
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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