Segunda-feira, 09 de Agosto de 2010

Noutro tempo, por dá cá aquela palha, evocava-se com gáudio, por vezes com um mix de desdém, que Portugal era “um jardim à beira mar plantado”. E assumamos sem medos de rótulos o nosso portuguesismo; e era!

 

Nesse tempo, não havia televisão que mostrasse esse jardim, tinha-se de sair fora de portas para o contemplar, bem como às maravilhas circundantes. E tudo o que se via, nomeadamente na fileira florestal – publica e/ou privada -, estava cuidado e preservado, até se dizia que a floresta era nosso petróleo verde.

 

Tais tempos já são passado, mas não tanto, que não os possamos ver diante da nossa retina sem ajuda da caixinha das surpresas; as televisões. Com efeito, o que menos falta nos faz, é este meio de informação (e é?) a aproximar a nossos olhos, o que outros querem que vejamos pela sua óptica. O que verdadeiramente vemos não é um jardim à beira mal plantado, o que vemos é um Portugal à beira mar queimado.

 

Bem como vemos um Portugal sujo, desleixado, lixado, sem limpeza, porco, sem aceiros abertos, com uma floresta desprezada, sem riquezas naturais; um Portugal que passou de exportador a importador de madeiras. Viesse cá o Rei D. Dinis e vocês veriam!

 

Enquanto isso o que vemos nas televisões são fogos em directo, onde parece que já estava a caixinha das surpresas à espera para os reportar. Vemos gente d’aquém e d’além a reivindicar mais bombeiros, mais meios, mais disto e mais daquilo. Todavia, o que verdadeiramente está em causa é a falta de planeamento e saneamento florestal.

 

Vemos ainda, como se viu este fim-de-semana, o país em chamas, como foi dado ver em S. Pedro do Sul. Concomitantemente, vemos uma mole de gente, alguns com ar extasiado, no mesmo S. Pedro do Sul, em animado espectáculo musical aborrecidos porque pr'ali avançavam, e já estavam a menos de dez quilómetros, as vastas labaredas. Uma chatice, não foi!?

 

A mesma televisão, deste Portugal à beira mar queimado, dava-nos ainda conta, de que num outro recanto, a sudoeste, num outro espectáculo musical - que grandes ganhos trazem ao orçamento do estado! -, foram apreendidos uns quilitos de pó risonho. E pergunta-se: é isto que querem? É isto de que precisa para ganhar o futuro?

 

Enquanto isto, o país continua a arder, em lume brando; um país de gente que privilegia a festa e o descanso em vez do trabalho; um país de escombros onde já laboraram excelentes unidades de produção; um país de terra queimada; um país que não se governa deixa governar; um país de eruditos onde nem sempre sabem a tabuada; gente que guia o país em contra-mão conduzindo-o cada vez mais para o abismo.

 

Se pudesse governar – poder posso, mas não me deixam! - este país voltaria a ser um jardim à beira mar plantado. Oh se seria! Estou em crer que apreciariam a minha governação.

 

E que tal (como diria o meu avô) “na casa deste home, quem não trabalha não come!” E dinheiro “cada um gasta o seu!”

 

Leiria, 2010.08.09



publicado por Leonel Pontes às 15:42
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