Quarta-feira, 01 de Setembro de 2010

Em Marrazes, no Zé Mário, um café – mesmo com cheirinho a bagaço – custa 50 cêntimos, na moeda velha “cem escudos, com vinte centavos”. Digamos que é um preço aceitável. O café é bom, a higiene também, o estacionamento serve, e por isso os fregueses estão fidelizados. Por tudo isto, de quando em vez, ali tomo café.

 

Em qualquer outro sítio da cidade de Leiria – convém esclarecer que até ao rio Lis, Marrazes também é cidade -, em qualquer outro “café”, em nenhum deles se toma um café por cinquenta cêntimos. E, até há quem cobre por café, com cheirinho um euro, ou seja na moeda velha, duzentos e tal escudos.

 

Nem sei se é legal o cheirinho! O que é sabido é que acabaram com a produção do cheirinho; dos alambiques que por esse país fora produziam o que havia de mais genuinamente português, o bagaço; “aguardente”. Fica mais barato importar e para que o tesouro arrecade mais uns cobres - até existe o imposto sobre o álcool, que faz parte dos IECs (Impostos Especiais sobre o consumo) -, tudo serve para inviabilizar o que é português. Talvez seja defeito meu, mas somos o país cheio de exotismos.

 

Mas porque é que a crónica de hoje há-de ser o café. É o café porque sem querer fiz um achado. Vim uma semana para descanso pró Algarve. E como obedeço às ordens de família – só às de família! –, vim sem saber o concreto destino.

 

E lá vem conduzido pelo GPS para os Salgados - Praia dos Salgados -, nas cercanias de Albufeira. Pensei: vou cair praí num desses amontoados de gente fina, a escarrar a todo passo, gente afrancesada “mon petit tu vá tomber, e ainda partes o focinho –, os militares do tempo do Lobo Antunes, também disseram que lhe partiam o focinho. E eu com pruridos de educação!  

 

Nada do que pensei, aconteceu! O sítio é calmo, é um vastíssimo empreendimento, novo – pese embora o que penso sobre o Algarve, metade deste deve ser requalificado se, se quer vender turismo de qualidade. Nestas andanças, como noutras, procuro gastar sempre o menos, daí que tratei de encontrar um supermercadozito onde pudéssemos comprar umas coisas que sirvam de almoço. Em tempo de férias também temos de dar descanso aos “molinexes” quando menos comermos mais desintoxicamos o organismo.

 

Mas em férias não podem abdicar de todos os hábitos - devemos manter alguns -, o café é um desses. Passeando rua fora, facilmente encontrámos onde fazer as compras. E logo por aí encontrámos também um sítio onde tomar o café. E logo se disse, depois do almoço já sabemos onde vir acabar a degustação.

 

Quando ali voltei, um axioma económico confirmei e que se insere na estratégia dos preços, que diz: só podemos cobrar o que o mercado pode pagar. E tanto eu como muitos outros que ali vão poderíamos pagar por um café os cinquenta cêntimos do cafezinho do Zé Mário. Mas o preço afixado e praticado era de 40 cêntimos. Pensámos: só pode ser água chilra! Enganámo-nos era café tão bom, ou melhor, do que aquele que se toma em sítios, supostamente “chiques” que vão até aos dois euros. E mais!

 

Há crise? O que há é uma falta generalizada de visão estratégica do que são os negócios e daquilo que queremos que eles sejam. Porque será que só somos atendidos por estrangeiros? Onde estão os portugueses? Mas dizem que há desemprego!

 

Ah! Falta dizer o nome do estabelecimento o “oceano” que todos pronunciavam à inglesa - onde nem eles faltavam -, “ouchecian"

 

 

Leiria, 2010.09.01



publicado por Leonel Pontes às 16:26
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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