Quarta-feira, 08 de Setembro de 2010

A imprensa da semana finda a quatro disse que o desemprego atingiu mais de 600 mil. E nós diremos que para um país pequeno, como o nosso, a cifra é preocupante.

 

Uma primeira questão se põe. Porque temos desemprego? Temos tudo feito? São esses desempregados especialistas em produção de foguetões - e como ninguém vai à lua – não se vende tal meio de transporte? Estavam aqueles desempregados afectos a actividades agrícolas e os celeiros já estão cheios? Desemprego porque?

 

Havendo desemprego por que é que aparecem afixados nos frontais dos estabelecimentos pedidos de colaboradores para os mais diversos trabalhos? Porque é que, não raras vezes, somos atendidos por estrangeiros, que até podem ser o diabo, mas em nada ficam aquém da simpatia e até da beleza feminina das portuguesas. É mentira?!

 

Poder-se-á tirar, desde já, uma primeira conclusão. Os 600 mil são os que estão no sistema; Instituto de Emprego. Os estrangeiros porque não fazem parte do sistema, para sobreviverem são precisamente os que se dispõem a trabalhar. Há dúvidas ou outras conclusões?

 

Porventura descenderei de povoadores que se fixaram em Monte Redondo; antepassados guerreiros. Não descendo de húngaro exilado, como Sarkozy, ou de imigrante arménio como Azenavour, ou de italianos como fora Sinatra, ou ainda de queniano como Obama.

 

Diz o povo que à terra onde fores ter, faz como vires fazer. Foi o que fizeram aqueles que para sustento dos seus tiveram de abraçar o trabalho fora dos seus países. Como português orgulho-me do papel dos portugueses no mundo do trabalho, como orgulho tive – quando abandonado e perdido no aeroporto de Nova York –, de naquele país ter encontrado a todo passo imigrantes das mas diversas origens.

 

O motorista que nos levou para a albergaria era proveniente do Haiti. O recepcionista da dita era porto-riquenho. As funcionárias do front-office do aeroporto, quer aquelas que nos atenderam à chegada, quer as que nos descalçaram a bota prá saída, todas eram portuguesas. O seu apego a Portugal era praticamente nulo.

 

Em Roma sê romano, na América sê americano. E foi isso mesmo que vimos, numa primeira impressão àquelas gentes. Após as primeiras palavras, logo demos conta que eram de origens diversas. Mas tantos e tantos portugueses que ali trabalham, e reconhecidos são pelas suas competências.

 

Porque é que em Portugal contribuem para o agravamento do endividamento geracional que há duas décadas aqui antevimos? Porque se privilegia o desemprego em detrimento dum enriquecimento nacional? Porque não se privilegiam os entes geradores de emprego, em vez do continuado descanso. Somos muito descansados, não somos?

 

Leiria, 2010.09.08



publicado por Leonel Pontes às 15:01
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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