Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

Seja-me permitido que inicie esta crónica num tom inquisitivo; sabe quem foi Nehru, e porque é usada comummente a expressão “terceiro mundo”?

 

Para quem estuda ou se interessa pelas coisas de política, sabe que Nehru foi herdeiro político de Gandi, como foi o único culpado por Salazar ter expulsado das fileiras do nosso exército o General Vassalo e Silva por ter assinado a rendição de Portugal ante a invasora Índia. O ditador nunca relevou a atitude.

 

Nehru foi o primeiro-ministro da Índia, de 1947 até 1964, como foi activista do movimento dos não-alinhados, tendo pugnado, não só, pela independência da Índia, como por uma nova ordem político-económica. Daí haver recusado fazer alianças com o Ocidente, ou com a potência que era, à época, a União Soviética, inculcando ao mundo uma nova ordem, o “Terceiro Mundo”.

 

Mas não tardou que o mundo associasse “Terceiro Mundo” a atraso, pobreza e subdesenvolvimento. Todavia, hoje (cinquenta anos mais tarde) a Índia é um forte parceiro do grupo BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China -

 

O ano de 1961 foi terrífico para Portugal, nomeadamente para os militares. E cada vez mais, somos menos a lembramo-nos do que foi a vivência desse facto, sendo que - não obstante a invasão ter ocorrido em 1961 – e, os principais intervenientes Nehru, Salazar e Vassalo e Silva já não fazerem parte do mundo dos vivos em Abril de 1974, foi só então que Portugal reconheceu a anexação dos ex-territórios portugueses pela Índia.

 

Mas não foram só os militares que sofreram os efeitos da invasão, foram também muitos civis que se refugiaram em Moçambique e em Timor, e nesta província, com muitos desses “retornados”, mais tarde, convivi como fora o Mari Alkatiri, que após uma violenta guerra civil seguida de invasão pela Indonésia – outro país dos não-alinhado –, acabou por ser primeiro-ministro de Timor, sendo ainda hoje um dos mais proactivos políticos.

 

A conclusão desta crónica pretende fazer alguma luz quanto ao “Terceiro Mundo”, posto que o verdadeiro significado era de um mundo independente, rico, e com capacidades próprias. Porém, mercê de “n” vicissitudes, hoje quando alguém se quer referir à pobreza, à incúria, à desorganização – e a tudo o que queira significar coisa menor – logo se diz: estamos pior que o “Terceiro Mundo”

 

Mas, talvez não seja tanto assim, pese embora no Portugal de hoje, haver só uma, e uma só, categoria de profissionais com emprego e trabalho assegurado, “as polícias”. Contudo, nem por isso, podemos perder a esperança, porque os tempos passados sempre foram os piores. Eduquem-se, ou desprezem-se os partidos, porque pobres e insolventes já estamos.

 

Leiria, 2010.09.20



publicado por Leonel Pontes às 11:45
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