Sábado, 03 de Junho de 2006

Em tempos idos Aquilino - que por Monte Redondo passou - descreveu na sua obra batalha sem fim, como só ele sabia, lenda sobre gordo tesouro enterrado nas soltas areias do pinhal de Leiria; como todos o sabemos.

 

Mas, o que poucos de nós sabemos – assim o creio - é que existe um outro tesouro, não de moedas de ouro, mas de preciosidades raras, nunca vistas, pelos mouros sepultado nas profundezas de Monte Redondo.

 

E, para que o valiosíssimo tesouro nunca, em tempo algum, dali fosse levado, por cima, deixaram-lhe pesada pedra trabalhada pela mourama como se uma cadeira fosse. Aí, sobre ela – a pedra -, ela – a moura, enquanto vida teve – em sentinela vigiou, de olhos postos no horizonte, não viesse d’algures mandado, qual avaro, para surripiar tamanha riqueza.

 

E, todos e cada um de nós, monte-redondenses, temos essa fortuna, mas também e sobretudo a nossa riqueza, tanta que de todo escusamos de escavar ou escachar a ofítica cadeira, para daí retirar o tesouro que há séculos repousa sob nossa guarda.

 

Monte Redondo, não foi só terra e pouso de mouros. Ao longo dos tempos recebeu gentes provindas d’outros ares, gente que lhe deu talho; num monte que de muito alto e de forma redonda chamado foi, até hoje, de Monte Redondo, estremenha região que foi palco não só de lutas, mas também de guerras, não havendo escapado às invasões francesas, sofreu dos efeitos das “sezões”, foi fustigada pelo “ciclone”.

 

Soçobrou às vicissitudes e acabou por ser aos dias de hoje o nosso berço e doutros que bem o conhecem e deste têm retratos, memórias de quem por cá deixou uma parte de tempo, desse tempo que é a nossa vida, o nosso tesouro e fortuna que um dia também haverá de à terra descer. Os que ficam, enquanto ficam, recordam memórias, actos e feitos de quem jamais dialogará com os seus antepassados como se deles ouvissem “naquele tempo! … ”

 

Mas, falar de memórias é afirmar o labor do passado, por isso, assim o cremos, não basta saber-se que a freguesia – hoje Vila - criada no ano de 1589 pelo Bispo de Leiria, D. Pedro Castilho. Como não é bastante saber-se que, em meados do século passado, Monte Redondo era uma das mais notáveis freguesias do Concelho, uma terra progressiva, habitada por uma população ordeira e trabalhadora.

 

Hoje, a caminho de cinco séculos de história, talvez valha a pena saber-se algo mais, como seja, o que pensam aqueles – e não só! - que um dia daqui rumaram outros caminhos sem que alguém mais cuidasse de saber do que aprenderem e sabem, coisa de que no-lo possam falar de viva voz.

 

Com efeito - esta é a nossa convicção - a breve trecho, em Monte Redondo, havemos de falar, em “conversas ao serão” com figuras gradas desta terra ou a esta com laços, publicamente partilhando o seu saber, os seus percursos de vida, as suas obras, sobre questões tão diversas como sejam história local e outra, a saúde, o ensino, a economia local e comunitária, a cultura; tudo!

 

Vamos à descoberta de tesouros? Convidados ficam!

 

Leiria, 03.06.2006



publicado por Leonel Pontes às 11:48
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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