Domingo, 16 de Maio de 2010

 

Leonel Pontes

Membro do Conselho Superior da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas

 

O “rating”, por razões sobejamente conhecidas, está na moda; nada de novo, menos de sucesso, mas está na moda! E valerá a pena preocuparmo-nos com o neologismo? Afinal, o rating sempre existiu, embora com diferente roupagem; a prudência.

 

Mas em concreto o que é o rating? O rating é um indicador, subsumido em opiniões expressas matematicamente quanto à capacidade que uma entidade – empresa ou mesmo um país – têm em honrar (a tempo e horas) compromissos financeiros. Opinião suportada, pois, na avaliação várias grandezas económicas; na mais simples expressão honrar a palavra, é honrar o compromisso.

 

E por que carga de água haveria de vir nestes últimos tempos à tona o rating? Veio à tona porque os modelos de gestão – matéria-prima para produção do rating – foram aligeirados, não só pelos agentes económicos, como pelos países.

 

Por outro lado, a palavra, a palavra de honra – único activo que a homem verdadeiramente tem - deu lugar a promessas circunstanciais. Outrossim, o planeamento económico deu lugar a medidas avulsas. A ética deu lugar à subversão de princípios comummente aceites. O trabalho deu lugar à subsidiação de lazer.

 

Concomitantemente, a contabilidade, instrumento de controlo, assente na fiabilidade, foi truncada. A análise dos gastos de produção foi negligenciada. Os orçamentos foram elaborados para inglês ver. O recurso ao crédito, em vez de ser uma âncora, passou a ser utilizado a esmo e, por vezes sem controlo. A publicidade deixou de ser um meio promocional e passou a assumir foros de mentira.

 

Tudo isto foi promovido pelos actores políticos e económicos que se deslumbraram e cegaram com as luzes da ribalta, sendo que, para manterem neste estádio fomentarem a mentira como se de uma verdade se tratasse.

 

E, não só as empresas, como os governos – e refiro-me aos nossos – passaram de desempenhos irrepreensíveis, na sua óptica, para resultados de ruína, pese embora com resultados sempre certificados. E, casos para fundamentar o axioma, muitos poderíamos dar.

 

Enquanto isso, gestores de vários naipes, como sindicais eternizam-se a contribuir com reivindicações descontextualizadas. Por sua vez, gestores empresariais promoverem e fomentaram sindicatos de voto para se eternizarem também à frente de associações empresariais.

 

Perante isto, a coisa deu para o torto; como era expectável. Agora querem-nos fazer crer que a culpa é (foi) da crise internacional. Tínhamos antídotos, que não foram, como deviam ser, ministrados em, e a tempo.

 

 Leiria, 16.05.2010



publicado por Leonel Pontes às 14:18
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
mais sobre mim
Maio 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

31


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO