Terça-feira, 03 de Agosto de 2010

Não recordo onde li; mas que li, isso li! E quem escreveu, escreveu! E, por certo que, aos dias d’hoje (havendo-se finado no mês de Agosto do ido ano 1900, em Paris) nada negaria do muito que escreveu. E, até estou em crer que ainda mais condimentaria, quando disse “Portugal é um bom país, anda é mal frequentado!”

 

Como por certo também não negaria – nem poderia, porque o que escrito foi, escrito está! - que da sua cédula de nascimento constava (coisa rara, se não única) ser filho de mãe incógnita. O pai, também ele, Eça de Queiroz, foi magistrado do reino.

 

E com que lata - não os filhos, como o fora Eça - mas os filhos da mãe, gerem e frequentam este bom país levando-o cada vez mais pró fundo. Míseros servos.

 

Quanto não custa ao país o sem número de processos que resultam sempre, mas sempre, inconclusivos; ou prescrevem, ou foram instaurados quase que por lapso. Ou seja a que pretexto for, mas ninguém paga penas; pecuniárias, de cárcere, ou mesmo morais.

 

E vocês, cidadãos tão mortais quanto eu, ou quanto o foi Eça, acreditam em tanta bondade? Claro que não! Por exemplo, na América, o “batotas” Madoff, não obstante haver sido um proeminente filantropo, foi indiciado, julgado e posto no cárcere em menos de um esfregar de olhos. E se fosse em Portugal quantos anos andaríamos a queimar dinheiro aos cidadãos?

 

E os “aldrabas” da ENRON, líder americana na distribuição de energia que, não obstante dar emprego a 21 mil pessoas, os gestores e os auditores foram objecto investigações que correram céleres. E quais foram as conclusões? Aqueles responsáveis – num curtíssimo espaço de tempo - foram condenados, ao cárcere, a empresa liquidada e a empresa de auditores extinta. E por cá como seria? Por certo, de explicações em explicações, tudo ficaria na mesma. E ainda se diria: no melhor pano caiu a nódoa!

 

As autarquias portuguesas estão obrigadas a uma série de regras em matéria de controlo e certificação de contas. Mas logo se diz; mas pagam tão mal, quem é que pode fazer-lhe um trabalho sério? E o que fazem? Nada! Mas nem mesmo mal pagos renunciam à cifra.

 

E vai daí um certo funcionário de uma certa Autarquia do distrito abotoou-se com 500 mil euros. E agora? Sim e agora, de quem é a culpa? É do funcionário? E ninguém viu? E estava sozinho? Durante quanto tempo esteve em roda livre. Mas a Câmara não tinha auditores? Tinha. E onde estavam?

 

Em matéria de facto; isto é, em matéria de auditoria, o que mais os preocupa são vírgulas. E 0 “pandan” para ganharem (mesmo mal pago) o serviço para o seu portefólio. E no que deu? Deu nisto; em mais um facto a emporcalhar a sociedade, a região até, porque mal frequentadas anda. E a auditoria? Ah, Isso dá trabalho!  

 

Volta Eça porque esta gente precisa de quem lhes abra a pestana. Por mim, que não tenho a tua sábia pena, ainda assim não deixarei de fazer o que deve ser feito. Chamar à atenção desses filhos da mãe que têm responsabilidades que de modo nenhum podem ser negligenciadas.

 

Leiria, 2010.08.02



publicado por Leonel Pontes às 16:26
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
mais sobre mim
Agosto 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
21

22
23
24
25
26
28

29
30
31


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO