Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010

 Tenho aproveitado, tanto quanto possível, há anos, esta coluna do REGIÃO de LEIRIA, onde teço considerações sobre assuntos, a meu ver, pertinentes do interesse do nosso concelho. Hoje utilizá-la-ei para dar opinião em matéria que me é cara, as empresas municipais. Muito tenho lido sobre a matéria, porventura analisado conceitos subjacentes a este tipo de empresa.

 

Localmente têm sido proferidas opiniões do mais bizarro que já vi, por vezes, ficamos com a ideia que vivemos num país de gente rica, ousaria até dizer se - quem assim se manifesta - também faz em sua casa, ou nos seus negócios o que publicamente opina como solução para a rentabilização do estádio municipal. Há quem diga, que esta obra rentabilizar-se-ia implodindo-a, vendendo-a, fechando-a, entregando-a a particulares, etc.

 

Mas este tipo de opinião – se é que chega a ser opinião, mesmo vinda de destacados opinions maker da nossa praça – a meu ver não é opinião responsável, porquanto não é sustentada, nem fundamentada, especialmente, porque falta de prévia discussão em fórum apropriado. E, em consequência, alguns portugueses são pouco dados a pensar, logo apressam-se a seguir tais opiniões.

 

Convirá, pois, deixar claro que o Estádio Municipal nasceu onde não devia. Mas nasceu, agora só nos resta saber dar-lhe vida, aliás sempre manifestei opinião neste sentido. Na altura o velho estádio Dr. Magalhães Pessoa havia sido objecto de recente intervenção, portanto ao ser demolido aí começou o primeiro desperdício de dinheiros públicos e equívoco.

 

Depois, o actual estádio foi mal concebido - adjectivarei melhor e direi: contraditoriamente mal concebido - porquanto é muito grande para as necessidades do concelho, e é pequeno para a prática de competições internacionais. Todavia, está dotado de infra-estruturas periféricas que urgem ser convenientemente utilizadas. Por outro lado, a exemplo de similares infra-estruturas por essa Europa fora – e não só – deveria servir para outras actividades que não só o futebol. Basta sair fora de portas e ver!

 

Com efeito, o de Leiria, está dotado de “n” infra-estruturas que, se devidamente aproveitadas, podem (já estão) suprir muitas insuficiências de que a nossa cidade está carecida. Escuso-me de citá-las, porque são públicas, as muitas entidades que utilizam tais instalações, classificando-as de soberbas.

 

Para além do estádio, a empresa municipal de Leiria, gere um conjunto de infra-estruturas desportivas, com utências de mais de seis vezes a população do concelho, e não consomem um avo do orçamento do estado. Dir-me-ão: mas o Município paga uma parte desses serviços? Claro que paga! E sempre pagaria, com ou sem empresa municipal, logo o desembolso é sempre igual.

 

E, para dissipar dúvidas, poder-se-ia fazer um debate público sobre a política desportiva do concelho. Porque se foge do confronto dos números e do modelo de gestão. Desde logo, não só o modelo, mas também o termo choca-se entre “gestão” e “governância” e por isso ouso citar o Prof. Dr. Carlos Lobo quando desabridamente diz que “quem pede a extinção das empresas municipais não conhece o seu trabalho”, e eu acrescentaria que, nem os seus quadros.

 

Por outro lado permito-me citar ainda o gestor e político que mais crédito merece neste governo, o Prof. Dr. Teixeira dos Santos quando diz que o “governo quer aprofundar reformas no sector empresarial do estado” E porquê? Desde logo, porque as Câmaras Municipais estão prenhes de ineficiências, de hábitos, de práticas, de gente que não acompanhou – ou para tanto não foi preparada – o progresso. E por via disso, as Câmaras são autênticos alfobres de gente que não produz o que deveria produzir. E como aproveitá-los maximizando cada euro gasto? É encerrando-as? Não! No mínimo é reestruturá-las.

 

E, só se poderá por um travão nesta quase “medieval” governância autárquica, criando – isso sim - mais empresas especializadas não só no desporto, como nas águas, na educação, na acção social, no ambiente, na cultura, nos transportes, etc., devidamente controladas com objectivos essencialmente empresariais; empresas que consolidariam para cima. As Câmaras seriam, na sua essência órgãos políticos tout court, sendo que para tanto também o governo deveria estar aberto a uma reforma profunda do edifício administrativo do poder local, e não só!

 

Leiria, 2010.08.20



publicado por Leonel Pontes às 12:01
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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