Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

Como qualquer cidadão que se interessa pelas coisas do seu país tenho opinião, advinda do acompanhamento que faço pelos media, do dossier “encerramento de escolas”, facto grave, senão gravíssimo, porquanto é indiciador de produzir assimetrias. Por outro lado, ficam-nos dúvidas se o modelo em reorganização traz um avo de poupança para o erário público.

 

E começo por dizer que não concordo com a medida, e, como qualquer cidadão, no seu perfeito juízo, com o facto não pode concordar, porquanto o que está subjacente ao encerramento é uma questão económico-financeira; isto é, escola com menos de 20 alunos não justifica estar ao serviço da educação porque provoca mossa no orçamento?

 

A educação não é, nem pode ser vista, como uma questão financeira, muito menos económica. A educação é tout court um investimento, e como qualquer investimento – se for bem feito! -, o seu retorno só será quantificado a médio e longo prazo.

 

Ainda assim, valeria a pena reequacionar a questão de modo a colocar o tecto numa cifra mais abaixo, eventualmente, 10 alunos. E porquê? Porque com a transferência dos educandos para outros espaços tal mudança tende a aumentar custos, que hão-de de ser pago por alguém. Por outro lado é evidente que tais mudanças concorrerão para outras mudanças, não só das crianças, como também das famílias. Não ocorrerão de imediato, mas verificar-se-ão a seu tempo.

 

Cabe ainda analisar que, todo o discurso político do país vai no sentido de cortar gastos, e a explicação é sempre a mesma, cortar, cortar, cortar – no elo mais fraco! No caso em apreço não está claro que o corte de gastos traga alguma poupança. Haverá, isso sim, uma mutação de valores que dada a sua natureza converter-se-ão em gastos com transportes, edifícios em degradação, o pequeno comércio que fica cada vez mais fragilizado, perda de actividades locais. Etc., etc.

 

Mas se a questão está no cortar, já pensou o governo em começar o corte por cima, tal seja redução de efectivos da Assembleia da Republica, no mínimo para metade, e mesmo assim ainda teríamos deputados a mais. E já fez o governo alguma coisa para reduzir o número de Ministérios de Secretarias de Estado, até de Autarquias?

 

Por outro lado ainda, não existem custos com a actual estrutura orgânica do país sem o menor retorno económico e que de facto são um sorvedouro de dinheiro. E não era de bom princípio em vez de andarem a discutir – agora – a constituição dever-se-ia de discutir, isso sim, a reorganização da máquina administrativa do país. Quer se queira, ou não, o país tem andado a viver em abastança. As promessas deram nisto!

 

Com efeito, a abastança terá de ser paga a qualquer tempo. Não menos certo é vermos gente que nunca nada geriu ou produziu coisa alguma. Ainda assim, todos esses serviram para a vida política. Aliás, até se diz, que quem não tem competências para trabalhar, tem-nas para uma funçãozeca política. E o que trouxeram ao país? Prejuízos, prejuízos, prejuízos.

 

Sem parafrasear ninguém, menos ainda um comentador de plano inclinado “essa gente sabe pouco” e o pior é que não sabem, que não sabem. A solução do país passa por melhor ensino, melhores escolas, melhores condições formativas em ordem a uma acção comportamental com futuro. Filhos longe da mãe tendem a comer os olhos do fruto do qual se hão-se alimentar. Com os comportamentos actuais não estão, não só a encerrar escolas, como também o país?

 

Leiria, 2010.09.13



publicado por Leonel Pontes às 14:41
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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